As estatísticas do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) indicam que 300.287 votos foram recebidos de peruanos fora do país, numa base de mais de 1,2 milhão de eleitores registrados para votar em consulados em todo o mundo. A apuração mostra que, com mais de 97% das atas do exterior contabilizadas, Fujimori obteve uma vitória expressiva com 63,2% dos votos, destacando-se em localidades como os Estados Unidos, onde alcançou 76,4%, e no Japão, com mais de 90%. Apesar de representar uma quantidade relativamente pequena no total de votos, esses votos podem ter proporcionado a vantagem necessária para que Fujimori assumisse a liderança durante a contagem final.
O analista político Enzo Elguera observa que, com os votos contabilizados dentro do país, Roberto Sánchez aparece na frente, mas a inclusão dos votos do exterior muda o cenário a favor de Fujimori. Essa situação marca um momento sem precedentes, uma vez que é a primeira vez que os votos dos expatriados podem definir o resultado de uma eleição presidencial no Peru.
Contudo, essa nova dinâmica gera controvérsias. A deputada eleita Amalia Palomino, do partido Juntos por el Perú, propõe restrições à participação de expatriados, argumentando que aqueles que residem no exterior há muitos anos não deveriam ter influência sobre questões que afetam quem vive no país. Palomino questiona a moralidade de expatriados decidirem sobre assuntos nacionais enquanto vivem em realidades econômicas diferentes.
Além disso, o partido de Sánchez busca anular os votos do exterior, alegando que houve alterações nas regras que favoreceram a candidatura de Fujimori. O registro de atrasos na contagem e possíveis irregularidades estão sob análise, mas Elguera adverte que as investigações não devem ser utilizadas como um instrumento de obstrução no processo eleitoral, lembrando os eventos conturbados das eleições de 2021, quando Keiko contestou a vitória de Pedro Castillo.
As próximas etapas desse embate eleitoral prometem agitar ainda mais o cenário político peruano, refletindo a complexidade da interação entre a diáspora e a política local.
