Vendas de veículos no Brasil devem ultrapassar 3 milhões em 2023, o maior número desde 2014, impulsionadas por crescimento nas importações, diz Anfavea.

As previsões para o mercado automotivo brasileiro em 2023 são otimistas, com as vendas de veículos projetadas para ultrapassar a marca de 3 milhões de unidades. Essa é uma cifra que não era alcançada desde 2014 e representa um crescimento significativo de 12,1% em comparação a 2025, conforme revelado em recente estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. A produção, por sua vez, também deve registrar um crescimento de 5,8%, totalizando cerca de 2,7 milhões de veículos. No entanto, esses números revelam um descompasso entre emplacamentos e produção, reflexo das crescentes importações.

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, comentou sobre essa discrepância, destacando que, tradicionalmente, a produção e os emplacamentos apresentavam um avanço convergente. Contudo, neste ano, a realidade se configurou de maneira distinta, com os emplacamentos elevando-se de forma mais robusta do que a produção nacional. Essa situação foi impulsionada por um aumento considerável na importação de veículos, que avança em ritmo acelerado.

No primeiro semestre de 2023, o emplacamento de veículos alcançou 1,42 milhão de unidades, o melhor desempenho desde 2014, apresentando uma elevação de 18,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Desse total, 280 mil veículos foram importados, com a China se destacando como a maior fornecedora, enviando 140 mil unidades, o que representa um impressionante crescimento de 98,5%.

Ademais, a preferência por veículos eletrificados está em ascensão. No mesmo período, foram importados 145,9 mil veículos eletrificados, superando a quantidade de veículos a combustão, que totalizou 134,5 mil. Isso demonstra uma mudança clara nos hábitos dos consumidores e a urgência de adaptação da indústria automotiva às novas demandas.

Calvet também expressou preocupações em relação à capacidade do setor de se ajustar a essa rápida transição tecnológica. Ele ressaltou que, para a indústria automotiva, caracterizada por sistemas de produção complexos, é necessário um período de adaptação mais prolongado. A crescente concorrência das montadoras que utilizam o sistema de CKD e SKD, que permite a montagem rápida de veículos, é vista como uma ameaça à competitividade da produção local.

O presidente da Anfavea sinalizou que a prioridade não é a tecnologia em si, mas os incentivos direcionados às montadoras que adotam esses sistemas mais simplificados. Embora a Anfavea tenha decidido não contestar judicialmente a renovação das cotas para importação de kits, Calvet enfatizou a necessidade de aprimorar a governança do órgão responsável, a Camex, visando maior transparência e contrapartidas nas decisões que afetam o setor.

Nesse cenário de incertezas, a Anfavea permanece comprometida em defender a produção nacional, ao mesmo tempo em que observa atentamente as evoluções do mercado global.

Sair da versão mobile