Desde a intensificação das sanções ocidentais, lideradas pelos EUA, o resultado tem sido um recuo significativo no uso do dólar e até do euro nessas trocas comerciais. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, destacou que esses meios de pagamento agora desempenham um papel quase residual. A política de tarifas de Donald Trump, que visa proteger a economia norte-americana, tem levado aliados a reconsiderar seus vínculos com os EUA, criando um ambiente onde até países que historicamente confiaram em Washington buscam novas alternativas.
A União Europeia também está respondendo a esse cenário, desenvolvendo um projeto para introduzir uma moeda digital do Banco Central Europeu até 2029, a fim de reduzir sua dependência de sistemas financeiros dominados por cartas de crédito e stablecoins baseadas no dólar. Fábio Sobral, um economista da Universidade Federal do Ceará, pontua que o dólar se torna uma “arma política” e reflete uma relação de desconfiança crescente entre nações.
A utilização do sistema SWIFT como uma arma pelo Ocidente, segundo especialistas, é considerada um “tiro pela culatra”. Isso gerou um aumento na demanda por diversificação de reservas cambiais, onde o uso de moedas locais e alternativas, como os “Panda Bonds” da China, ganha espaço. Marcos Cordeiro Pires, da Universidade Estadual Paulista, enfatiza que a cooperação entre China e Rússia vem se robustecendo desde 2014, impulsionada por sistemas de transporte de gás entre os países.
Com a economia brasileira, uma das maiores do mundo, rica em diversidade, há uma pressão crescente para que o país busque parcerias alternativas, sem, no entanto, romper os laços com os EUA. O cenário atual sugere que as economias do Sul Global estão em um movimento de distanciamento em relação às imposições dos EUA, analisando novas formas de comércio que favoreçam sua autonomia econômica.
