Com a evolução tecnológica, o setor jurídico, especialmente o Direito da Família, se adapta à nova realidade digital. Imagens, vídeos e conversas obtidas por meio de aplicativos de mensagens passaram a ser reconhecidas como provas válidas em litígios judiciais. Esse tipo de material é essencial na determinação do valor da pensão alimentícia, podendo influenciar significativamente sua definição ou eventual revisão.
É importante esclarecer que a pensão alimentícia, apesar do nome, não se limita apenas à alimentação. O entendimento judicial abrange uma gama de despesas, incluindo educação, saúde, vestuário, moradia, transporte e lazer. No entanto, não existe um cálculo fixo que determine automaticamente o valor a ser pago, desmistificando a ideia de que deve haver uma porcentagem estabelecida da renda do pagador.
A quantificação dos gastos deve ser apresentada logo no início do processo, considerando as necessidades do beneficiário — crianças e adolescentes — e a capacidade financeira do responsável pela pensão. O montante considerado não deve ser baseado somente na renda, mas sim nos requerimentos específicos do menor. Além disso, o critério de proporcionalidade é levado em conta; assim, se a criança necessita de R$ 5 mil mensais, isso não significa necessariamente que os encargos devam ser divididos igualmente entre as partes.
O cálculo da pensão é simplificado quando o pagador possui um emprego fixo. No entanto, muitos ainda não declaram adequadamente sua renda, enquanto a pejotização, onde trabalhadores operam como pessoas jurídicas, tem tornado a comprovação de rendimentos mais complexa. Por conta dessa dificuldade, o Judiciário passa a utilizar informações obtidas em redes sociais como instrumentos de investigação para complementar essa análise, conforme afirma uma especialista na área.
Os dados coletados de perfis nas redes sociais podem enriquecer o entendimento sobre a capacidade financeira do pagador, uma vez que a exposição a luxos — como jantares em restaurantes caros e viagens de férias — entra como um fator relevante nas demandas de pensão alimentícia. Em números, a Defensoria Pública de um estado registrou mais de 44 mil agendamentos para questões relacionadas a pensão alimentícia nos primeiros seis meses deste ano.
Entretanto, para que essas provas sejam aceitas em juízo, é crucial realizar a captura de tela de maneira adequada, incluindo data, hora e identificação do usuário, uma prática que deve ser feita cautelosamente, já que a parte contrária pode contestar a validade desses documentos. Além disso, o crescimento da inteligência artificial reacende a necessidade de um zelo ainda maior ao lidar com imagens e informações extraídas de redes sociais. Uma solução recomendada é a ata notarial, um documento elaborado por um tabelião que atesta a veracidade de fatos e conteúdos obtidos digitalmente, conferindo maior robustez às provas.
A ata notarial pode ser realizada em cartórios, mas a preço elevado, por isso, outra alternativa que ganha popularidade é o serviço de validação jurídica de conteúdos digitais online, que se mostra mais acessível financeiramente. A escolha entre esses métodos dependerá da complexidade da prova que se deseja apresentar.
Para aqueles que buscam solicitar pensão alimentícia, é fundamental se dirigir ao Núcleo de Família da Defensoria Pública, portando a documentação necessária, como documentos do menor e informações pessoais do responsável, além de comprovações de renda. A tecnologia também aparece como aliada nesse processo por meio de assistentes virtuais que facilitam a elaboração de petições de forma digital, agilizando o trâmite que antes poderia levar meses.
