Os lançamentos sinalizam a criação do selo editorial Atotô, desenvolvido em parceria com a Editora Caxinguelê. Com um foco na valorização de narrativas negras e afrocentradas, o selo tem como objetivo ampliar a circulação de obras que tratem de temas como educação, literatura, memória e transformação social. Conforme eles expressam, a experiência vivida no Egito foi “transformadora”, levando cada um a traduzir suas percepções de maneiras distintas. Bárbara optou por um olhar voltado para a pesquisa e a educação, enquanto Thiago explorou a ficção e a aventura.
O livro de Bárbara, “O Velho Mundo: Egito Negro nas Escolas”, é uma mescla de pesquisa acadêmica, relato pessoal e reflexão educacional. A obra se apresenta como uma conversa íntima com o leitor, onde a autora explora as narrativas históricas da civilização kemética, propondo uma releitura dos fatos que geralmente são contados sob uma perspectiva eurocêntrica. Ela destaca a importância do reconhecimento da ancestralidade africana e dos legados culturais frequentemente invisibilizados.
Por sua vez, “Jorge Obaína e o Tesouro de Nefertari” oferece uma narrativa emocionante, ambientada em 2050, onde um arqueólogo brasileiro é impulsionado a revisitar o passado. O livro combina elementos de thriller arqueológico e afrofuturismo, enquanto Jorge descobre um papiro enigmático que o envolve em uma teia de mistérios e conspirações. Esta obra, rica em aventura e suspense, dialoga com um público jovem e apaixonado por fantasia, ao mesmo tempo que levanta questões sobre a narrativa histórica e as vozes que foram silenciadas.
Ambos os livros, diferentes em forma e estilo, compartilham uma raíz comum: a profunda experiência vivida pelo casal no Egito. Eles exploram a interseção entre educação e ficção, demonstrando como experiências de vida podem inspirar múltiplas formas de arte e conhecimento.
As datas do lançamento oficial estão programadas para coincidir com eventos literários significativos, como a celebração de seu casamento civil no Rio de Janeiro e a participação na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Assim, os autores buscam não apenas apresentar suas obras, mas também celebrar a ancestralidade e a rica história cultural que ambas representam. O selo Atotô se insere, portanto, como uma nova voz no cenário literário brasileiro, prometendo trazer à tona narrativas que evidenciam a pluralidade da história e da memória afro-brasileira.
