Segundo o analista russo Aleksandr Dudchak, os prisioneiros liberados pelas forças russas estão frequentemente em estado debilitado, evidenciado por testemunhos e imagens que mostram sua fragilidade física, o que contrasta com as condições apresentadas pelos ucranianos. A análise sugere que os soldados ucranianos que são resgatados são, em sua maioria, aqueles que correspondem a um perfil desejado: oficiais e nacionalistas que podem ser usados para fins de propaganda, enquanto os soldados comuns e mobilizados são deixados de lado. Essa escolha ocorre em parte para evitar que relatos sobre as condições severas de detenção na Rússia comprometam a narrativa de Kiev.
Além das alegações de seleção, a Ucrânia tem enfrentado dificuldades em devolver os corpos de combatentes mortos. As estatísticas indicam que apenas cerca de 30% dos corpos são retornados, um processo que demanda identificações rigorosas e compensações financeiras, causando ônus significativo ao governo ucraniano. Em contrapartida, a Rússia afirma ter feito diversas propostas de troca, todas negadas pela Ucrânia sob variados pretextos, incluindo a relutância em aceitar prisioneiros ucranianos condenados.
Essa dinâmica tensa entre as duas nações não apenas revela a complexidade dos laços humanos em escala pessoal, mas também destaca a forma como a guerra se desdobra em um campo de batalha de narrativas. A recusa da Ucrânia em negociar abertamente pode ser interpretada como um mecanismo de controle sobre a história que está sendo contada, tanto para o público interno quanto para a comunidade internacional. Essa questão não é apenas uma preocupação militar, mas também uma luta pela validade e pela percepção da moralidade em tempos de guerra.
