A gravação mostra turistas se encolhendo enquanto um helicóptero sobrevoa a área, em meio ao som ensurdecedor dos tiros. Iriane, que frequenta a trilha ao menos três vezes por semana, relatou que o grupo de cerca de 200 pessoas se preparava para iniciar a descida ao amanhecer quando a primeira rajada de disparos foi ouvida. Orientados por outros guias, os turistas foram rapidamente instruídos a buscar um lugar seguro, evitando assim uma possível situação de pânico.
Em suas redes sociais, a influenciadora expressou seu desconforto. “Trabalho com turismo e nunca havia presenciado algo assim antes. Porém, sabemos que estamos em um morro, e sempre assumimos o risco ao entrar aqui”, comentou. Ela também defendeu a presença de turistas na comunidade, rejeitando críticas que afirmam que a atividade explora a vulnerabilidade local. “Estamos gerando renda e movimentando a economia”, enfatizou.
Durante a tensão, Iriane estava acompanhada de sua tia, que visitava o Rio pela primeira vez. Apesar do nervosismo, o clima foi amenizado com humor, resultando em risadas entre as duas, uma vez que a tia já havia presenciado uma operação policial na Maré logo após desembarcar do aeroporto. Um cachorro que se soltou durante a confusão também se tornou um ponto de alívio, sendo recuperado sem ferimentos.
A operação policial que provocou o tiroteio tem como alvo o traficante Dadá, conhecido por seu papel no comando do tráfico no sul da Bahia. Tarde de segunda-feira, a ação, que implicou a participação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), levou ao fechamento temporário da Avenida Niemeyer. Moradores relataram um intenso confronto armado e, conforme as autoridades, três pessoas foram detidas, incluindo uma mulher com um mandado de prisão em aberto, e várias armas foram apreendidas.
O incidente gerou consequências não apenas para os turistas, mas também para os moradores e serviços da região, com escolas e unidades de saúde suspendendo atividades. Por volta das 7h30, a situação começou a se normalizar, mas o medo e a incerteza pairaram sobre o local por várias horas. Os relatos de turistas, como Stephanie Andrade e Matilda Oliveira, revelam uma experiência de medo, mas também de um surpreendente desejo de continuar a explorar o Rio de Janeiro após a tempestade.
