A nova sobretaxa foi fundamentada em uma investigação tarifária realizada em março pelo escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). No início do mês, o USTR divulgou um parecer preliminar que propõe a aplicação de tarifas de 10% sobre importações de diversos parceiros comerciais, incluindo Canadá, México e União Europeia. Além disso, foram sugeridas tarifas de 12,5% para mais de 40 países, como Brasil, China, Índia, Japão e Coreia do Sul. Estas tarifas teriam o potencial de afetar cerca de 99% do comércio exterior americano.
Apesar dos alertas de alguns membros da equipe econômica sobre os possíveis impactos negativos de uma intensificação da guerra comercial, especialmente com as eleições legislativas se aproximando, a decisão de avançar com as novas tarifas foi mantida. Fontes próximas ao governo afirmam que foram elaborados diferentes cenários para a aplicação de novas taxas assim que as atuais sobre importações expirarem.
O cenário de tensões comerciais é ainda mais complexo, visto que a Suprema Corte dos EUA havia anulado tarifas anteriores impulsionadas pelo governo, alegando que o presidente superou sua autoridade ao impor tais taxas por meio de uma lei de emergência. Contudo, agora a equipe de comércio do presidente utilizará a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 como base legal, o que oferece um suporte jurídico mais robusto para a manutenção das tarifas.
Especialistas ressaltam que, embora esse novo fundamento legal fortaleça a posição do governo, não se espera, a curto prazo, uma mudança significativa na carga tarifária total. A intenção é manter as alíquotas em níveis similares às que estão prestes a expirar, enquanto outras investigações estão sendo conduzidas para justificar tarifas ainda mais altas no futuro.
Nos bastidores, conselheiros de alto escalão têm sugerido ao presidente a importância de preservar a estabilidade nas relações comerciais e honrar acordos anteriores, que previam a redução das tarifas. Este momento de escalada nas tensões comerciais ocorre concomitantemente a um aumento da volatilidade nos mercados globais, especialmente devido a conflitos no Oriente Médio.
Além disso, os custos da guerra comercial têm pressionado os consumidores americanos, refletidos em um recente aumento no preço da gasolina, que voltou a ultrapassar US$ 4 por galão. Essa situação gera descontentamento entre a população e cresce a pressão política sobre a Casa Branca, destacando a necessidade de uma abordagem comercial mais cautelosa, especialmente em um ambiente político delicado.
