Tokenização Revoluciona o Mercado Financeiro: Brasil Conta com 5.614 Ativos e Movimento de R$ 13,55 Bilhões em 2026.

A tokenização, um conceito que parecia restrito ao âmbito das startups de tecnologia, está rapidamente se infiltrando no mercado financeiro tradicional do Brasil. Desde 2012, foram registrados 5.614 ativos tokenizados no país, representando um montante expressivo de R$ 13,55 bilhões. Em 2026, até julho, 684 novos ativos foram emitidos, gerando movimentações de R$ 6,87 bilhões, conforme dados de monitoramento do setor.

A velocidade desse crescimento pode ser atribuída a vários fatores. O projeto-piloto implementado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a colaboração estreita com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o surgimento de novos produtos financeiros têm sido cruciais para acelerar essa transformação. De acordo com Marcos da Rocha, diretor jurídico da Associação Brasileira de Empresas Tokenizadoras e Blockchain (ABToken), embora o Brasil esteja experimentando um crescimento acelerado na adoção da tokenização, com emissões atingindo R$ 1,5 bilhão apenas em janeiro deste ano, o verdadeiro diferencial reside na tecnologia blockchain, que promete aumentar a segurança e funcionalidade das operações financeiras.

Nos primórdios, a tokenização operava à margem do sistema financeiro convencional, mas essa separação vem perdendo força. Fintechs, como a AmFi, agora se envolvem em operações significativas com investidores institucionais, e bancos tradicionais estão integrando a tokenização em suas estratégias operacionais. O cofundador da AmFi, João Pirola, aponta que a divisão entre empresas tradicionais e aquelas voltadas à tecnologia logo se refletirá na capacidade de adoção da tokenização, e aqueles que não se adaptarem poderão ser deixados para trás.

Embora a CVM ainda esteja em processo de criação de regulamentos específicos, a instituição já está se mobilizando para compreender melhor a tokenização de valores mobiliários. Um grupo de trabalho foi estabelecido para criar um regime regulatório experimental, com a tarefa de investigar o registro, a custódia e a liquidação de ativos em plataformas de tecnologia de registro distribuído (DLT). Os especialistas acreditam que essa regulamentação pode trazer confiança e segurança à participação de investidores, especialmente em um mercado onde a confiança é fundamental.

O piloto da Anbima, lançado em fevereiro, é uma iniciativa ambiciosa que visa testar a aplicação da DLT no mercado de capitais brasileiro. A proposta, que já recebeu 39 casos de uso e selecionou 20, abrange desde emissões de debêntures até a gestão de fundos.

À medida que novas classes de ativos surgem, incluindo frações de imóveis, royalties musicais e até créditos de carbono, a versatilidade da tokenização se torna evidente. A expectativa é que, com o amadurecimento do mercado e a integração de tecnologias inovadoras, o Brasil possa seguir tendências globais e expandir suas operações de tokenização, incluindo fundos de investimento e ações no futuro próximo. Em suma, a tokenização não é apenas uma tendência passageira; ela pode, efetivamente, reformular a maneira como o mercado financeiro opera, aumentando a liquidez e democratizando o acesso aos investimentos.

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