Thiago Soares, que se destacou como primeiro bailarino no Royal Ballet de Londres e é o primeiro brasileiro a conquistar a medalha de ouro no Concurso Internacional de Balé Bolshoi na Rússia, se propõe a oferecer uma nova perspectiva à dança. “Carmen” não se limita a uma adaptação convencional; a obra, além de ter sido apresentada em várias cidades como Petrópolis e São Paulo, reflete a cultura da Zona Norte do Rio, trazendo ao palco uma nova linguagem que dialoga com as danças urbanas.
Em seu projeto, Thiago enfatiza a importância de uma formação clássica, mas não se restringe a ela. Ele busca integrar diversas influências culturais, incluindo a brasilidade e as danças folclóricas e religiosas. “[…] O erudito clássico só faz sentido hoje se interagir com o asfalto, senão se distancia muito da sociedade”, afirma o bailarino, ressaltando a necessidade de conexão entre a dança e o cotidiano urbano.
Desde suas raízes em São Gonçalo, onde começou a dançar hip-hop antes de transitar para o balé, Thiago é uma prova de que talento pode emergir de qualquer lugar, mesmo frente a desafios. Nesse sentido, seu compromisso vai além do palco: ele busca abrir portas para jovens dançarinos que, como ele, enfrentam barreiras financeiras e estruturais na busca pela realização de seus sonhos.
Guilherme Saab, jovem dançarino de São Gonçalo, é um exemplo do impacto dessa iniciativa. Com apenas 20 anos, ele trilha um caminho feito de dedicação, enfrentando longas distâncias e o trânsito da cidade para realizar seu sonho na dança. Outros membros da companhia também relatam esse fortalecimento, buscando no trabalho com Thiago o desenvolvimento de suas carreiras.
A companhia, composta por 11 bailarinos, opera atualmente sem patrocínio, contando apenas com o apoio de colaboradores. A rotina inclui aulas de balé clássico e ensaios, além de sessões de pilates para aprimoramento físico. Com essa iniciativa, Thiago Soares não só renova a cena da dança carioca, mas também inspira uma nova geração de artistas a sonhar grande, como Maria Rianelli e Gabriela Mendes, que também buscam no seu trabalho novas oportunidades e a chance de brilhar em palcos ao redor do mundo.
Em audições recentes, a companhia atraiu 70 candidatos de diversas partes do Brasil, reforçando a ideia de que o talento não tem fronteiras. Entre os selecionados, Deborah Simonian, que trocou São Paulo pelo Rio, traz uma rica experiência internacional que agora poderá ser compartilhada com a nova companhia.
Thiago Soares, portanto, não se limita a ser um coreógrafo; ele é um mentor, um catalisador de mudanças que busca consolidar a dança no Brasil como uma expressão cultural vibrante e acessível.
