A polêmica começou quando Fachin questionou Mendes a respeito de interpretações que considerou equivocadas em decisões passadas. Mendes não hesitou em revidar, acusando Fachin de patrocinar um comportamento que interrompe julgamentos de grande repercussão quando percebe que suas teses estão prestes a ser derrotadas. Em um tom incisivo, Mendes chegou a dizer a Fachin: “Está ficando muito feio, Fachin. O Barroso não gostava de perder, mas era mais elegante. Você é mau perdedor.”
Além do embate verbal, uma questão administrativa também provocou descontentamento. Fachin havia determinado que todas as petições relacionadas a casos arquivados deveriam ser validadas pela Presidência antes de chegarem ao relator, algo que Mendes interpretou como um sinal de desconfiança ou crítica a sua atuação. Em desabafo via mensagens, Mendes pediu que Fachin interrompesse menos os julgamentos, apontando que sua gestão poderia ser vista como um “filibuster” na prática do STF, onde importantes decisões estão paralisadas.
Para contextualizar, o termo “filibuster” é tradicionalmente utilizado no Senado dos Estados Unidos para descrever uma tática que pode atrasar ou impedir a votação de projetos de lei através da prolongação de debates. A comparação sugere que Fachin estaria, de alguma forma, obstruindo os trabalhos do tribunal.
Embora o episódio tenha gerado burburinho entre os magistrados, a assessoria do STF ainda não se manifestou oficialmente a respeito da troca de farpas. O conflito, intensificado por um clima geral de insatisfação com o tribunal, evidencia a fragilidade nas relações internas da Corte e levanta questionamentos sobre sua eficácia em um momento em que a confiança pública é cada vez mais incerta.
