Embora a organização do torneio tenha anunciado uma elegante elevação de 9,5% na premiação total, que alcançou um recorde de 61,6 milhões de euros, os jogadores contestam que esse aumento é apenas uma ilusão, especialmente quando comparado ao crescimento substancial da receita total do evento. Segundo o comunicado, a porcentagem que os atletas recebem dos lucros caiu de 15,5% em 2024 para uma previsão de apenas 14,9% em 2026.
Os números pintam um quadro desolador: em 2025, Roland Garros teve um faturamento de 395 milhões de euros, marcando um aumento de 14%, enquanto o total dos prêmios oferecidos aos competidores cresceu de forma muito mais modesta, apenas 5,4%. Os jogadores argumentam que essa disparidade evidencia a necessidade urgente de uma revisão na estrutura de distribuição dos lucros, com o objetivo de alinhar Roland Garros aos padrões já estabelecidos pelos circuitos ATP e WTA.
Além do aspecto financeiro, as exigências incluem melhorias significativas na assistência médica, revisão dos planos de pensão e a necessidade de maior envolvimento dos jogadores nas decisões sobre o calendário do circuito. O manifesto denuncia uma resistência à modernização por parte dos Grand Slams, acusando a organização de ignorar aqueles que são fundamentais para o sucesso do evento.
Esse descontentamento não é uma novidade. A tensão já se intensificou no ano passado, quando a ATP, WTA, ITF e ITIA foram acusadas de perpetuar um sistema “abusivo e ilegal”. A Players’ Tennis Association (PTPA), fundada por Novak Djokovic em 2020, vem ganhando força ao denunciar a exploração de talentos e os riscos à saúde dos atletas, afirmando que sua luta é, na verdade, uma tentativa de salvar o tênis para as futuras gerações. A discussão agora pode chegar aos tribunais, o que colocaria ainda mais em xeque a dinâmica já conturbada dos Grand Slams.
