Estima-se que mais de 160 pessoas tenham sido enganadas pelo esquema fraudulento, no qual Otaciane se apresentava como integrante de um grupo criminoso especializado no “golpe da falsa herança”. A polícia identificou um padrão de ações que visava fiéis de igrejas evangélicas no Distrito Federal. Ela costumava prometer doações expressivas, que afirmava serem oriundas de heranças ou valores judiciais bloqueados. Para liberar esses montantes, exigia pagamentos antecipados de taxas e tributos que, na verdade, não existiam.
Para evitar um possível confronto ao deixar o presídio, os responsáveis pela segurança da unidade decidiram tomar uma medida atípica: o veículo que a transportava foi autorizado a se aproximar do portão principal, um procedimento incomum, garantindo assim que Otaciane não tivesse contato com as pessoas aglomeradas lá fora. O clima era de indignação, e o desejo de justiça por parte das vítimas se fazia palpável.
A tensão aumentou com a prisão de um homem nas proximidades do presídio, portando uma pistola municiada. Este fato suscita preocupações adicionais, uma vez que, entre os afetados pelo golpe, há também policiais, gerando um cenário potencialmente explosivo.
Otaciane, que também é conhecida por ter sido uma das maiores estelionatárias do Pará, já havia sido detida em 2021 por crimes similares. Naquela ocasião, ela falsificou sua identidade como herdeira de uma fortuna de R$ 40 milhões e, conforme investigações recentes, estava envolvida em esquemas de compra de aeronaves que resultaram em mais de R$ 15 milhões de lucro ilícito.
Detida em abril de 2023, durante a Operação Heres Ficta, Otaciane, junto com mais quatro pessoas, enfrentará acusações sérias, incluindo organização criminosa, estelionato, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. As investigações revelam que o grupo utilizava empresas de fachada e contas de terceiros para disfarçar as movimentações financeiras obtidas de forma ilícita.
Em resposta a este caso, a Polícia Civil do DF orienta que possíveis vítimas busquem as delegacias para formalizar os registros de ocorrência. Além disso, a corporação reforça a necessidade de cautela quando se deparam com ofertas de dinheiro fácil ou promessas de doações que exigem pagamentos antecipados. A expectativa é que o caso ganhe novos desdobramentos nos próximos dias, enquanto a defesa de Otaciane Teixeira Coelho ainda não se pronunciou oficialmente.







