Os pesquisadores realizaram experimentos com ratos que haviam passado por lesões cerebrais, observando que aqueles que consumiram suplementos de EPA apresentaram desempenho inferior em tarefas de memória espacial e aprendizagem comparados aos que não receberam a substância. Esta descoberta levanta preocupações sobre o uso generalizado de suplementos de óleo de peixe, especialmente entre pessoas que podem ser mais suscetíveis a lesões cerebrais, como atletas e militares.
Além disso, os estudos indicaram que a presença do EPA nos vasos sanguíneos está associada ao acúmulo de proteínas tau tóxicas, comumente ligadas a processos degenerativos no cérebro. Essa relação sugere que a utilização desse suplemento, especialmente em um contexto pós-lesão, pode não apenas dificultar a recuperação celular, mas também aumentar o risco de patologias como a encefalopatia traumática crônica (ETC), uma condição que aflige indivíduos com histórico de concussões repetidas.
Neste estudo, a equipe de pesquisadores não apenas avaliou o impacto do EPA em ratos, mas também examinou células endoteliais microvasculares humanas, fundamentais para a integridade da barreira hematoencefálica. Os resultados foram contextualizados com análises de tecidos cerebrais de indivíduos que sofreram de ETC, realçando a relevância da pesquisa para a saúde humana.
O neurocientista responsável pela pesquisa destacou a necessidade de maior conscientização sobre os efeitos a longo prazo do consumo de suplementos. Ele enfatizou que, embora o ácido docosahexaenoico (DHA), outro componente dos óleos de peixe, não tenha demonstrado efeitos adversos neste contexto, as interações biológicas do EPA são diversas e contextuais. A pesquisa sugere que a resposta do organismo a esses compostos deve ser avaliada cuidadosamente, em vez de supor que efeitos benéficos se aplicam universalmente.
Concluindo, o estudo deixa claro que a ciência da nutrição e da neurociência é complexa, e que é vital compreendê-la em nuances, considerando os efeitos que diferentes ácidos graxos podem exercer sobre o cérebro ao longo do tempo.







