STF Bloqueia R$ 119 Milhões em Emendas; Câmara Contesta Decisão como ‘Intervenção Indevida’ e Refuta Alegações de Desvio.

Câmara dos Deputados Reage a Bloqueio de R$ 119 Milhões Decidido pelo STF

A recente decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que bloqueou R$ 119 milhões em emendas relacionadas ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, gerou uma forte reação da Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta, considerou essa intervenção judicial como “indevida”, enfatizando que as ações dos parlamentares estão conforme as normas administrativas vigentes.

De acordo com Motta, a operação das emendas é realizada dentro dos parâmetros estabelecidos e não implica em irregularidades, pois os parlamentares têm a prerrogativa de delegar tarefas às suas equipes e direcionar recursos segundo orientações partidárias. Ele reforçou que a decisão do STF não apresenta evidências concretas de desvios ou abusos, mas se baseia apenas em inferências que visam criminalizar a atuação política.

A investigação, que resultou no bloqueio das emendas, decorreu de um inquérito da Polícia Federal (PF) que alegou que Valdemar estaria manipulando emendas sem a devida autoridade, uma vez que não possui atualmente mandato parlamentar. A PF zera a informação de que parte dos recursos poderia ter sido “forjadamente encaminhada e desviada”, com a possibilidade de que Valdemar seja considerado um beneficiário final dessas movimentações financeiras. Até o momento, cerca de R$ 104 milhões já haviam sido pagos.

Surpreso com a decisão, Valdemar, por meio de seus advogados, criticiou a medida e ressaltou que a Procuradoria-Geral da República se opôs a essas ações. A defesa alegou que a decisão carece de fundamentação sólida, caracterizando-se como uma tentativa de deslegitimar a atividade político-partidária.

O ministro Flávio Dino, em sua ordem, suspendeu a execução de todas as despesas relacionadas às emendas sob suspeita e exigiu que Motta apresentasse, em um prazo de dez dias, toda a documentação pertinente sobre a tramitação dos montantes. Essa medida faz parte da Operação Transparência, que foi desencadeada em dezembro de 2025 e tem como alvos investigações mais amplas sobre práticas administrativas inadequadas na Câmara.

A operação também mira Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que é uma assessora ligada ao ex-presidente da Câmara, Arthur Lira. A análise da PF visa esclarecer um possível esquema de manipulação envolvendo servidores e operadores políticos que teriam acesso privilegiado ao sistema legislativo. Outras duas pessoas também foram citadas na investigação, indicando que as apurações sobre o uso de verbas e a gestão das emendas seguem em andamento, sem que conclusões finais tenham sido divulgadas até o momento.

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