Stablecoins: A Revolução das Transações Financeiras no Brasil e no Mundo, Afirmam Executivos da Visa e Nubank durante a Rio Innovation Week 2026

No último evento “Rio Innovation Week 2026”, realizado de 4 a 7 de agosto no Rio de Janeiro, o vice-presidente de Novos Negócios da Visa Brasil, Eduardo Abreu, trouxe à tona o crescente impacto das stablecoins no mercado financeiro global e local. Durante sua participação, Abreu ressaltou que as stablecoins deixaram de ser uma mera tendência passageira e se consolidaram como uma força significativa no cenário econômico atual. Cifras da Receita Federal apontam que, entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, as criptomoedas lastreadas em moedas fiduciárias, como o dólar e o real, movimentaram aproximadamente R$ 1,13 trilhão, representando 71,7% do volume total de criptoativos declarados.

A nível global, há uma crescente movimentação de ativos digitais, com transações envolvendo stablecoins alcançando cerca de US$ 1,7 trilhão apenas em junho de 2023, conforme dados divulgados pela Visa. Para Eduardo Abreu, essa digitalização das finanças, especialmente do dólar, indica que as stablecoins são cada vez mais mainstream e que a sua adoção está em plena ascensão.

Entre os principais usos dessas criptomoedas está o potencial para pagamentos internacionais, facilitando transações que não precisam estar restritas ao horário bancário tradicional. A Visa, em resposta a essa demanda, tem promovido a integração de seus cartões com exchanges, possibilitando que criptoativos sejam utilizados como lastro para pagamentos. Abreu destacou que essa iniciativa já está em andamento em 50 programas na América Latina e mais de 180 em várias partes do mundo. A empresa lançou, em julho, uma stablecoin própria chamada “Open Standard”, fruto de um consórcio global que visa gerar confiança em torno desse tipo de ativo.

Sabrina Zapparoli, especialista em Políticas Públicas do Nubank, complementou essas informações, afirmando que a democratização do acesso às stablecoins e criptomoedas tem sido um processo positivo. Ela apontou que, enquanto antes esse universo era restrito a poucos conhecedores da tecnologia, hoje o cenário se transforma por meio de plataformas que oferecem uma usabilidade mais simples e acessível ao grande público.

Por outro lado, a questão da regulação também foi um tema central no evento. Nelson Leite, diretor de Produto da Binance, enfatizou a necessidade de um equilíbrio nas normas que regem as criptomoedas. Segundo ele, é fundamental que a regulação promova inovação, mantendo as características básicas das stablecoins, como as transações ininterruptas e de baixo custo. Abreu, da Visa, elogiou os avanços da regulação brasileira, mas alertou sobre o risco de a regulamentação excessiva levar à evasão de recursos, o que poderia comprometer o mercado.

Sabrina reforçou que tanto as exchanges quanto as instituições financeiras tradicionais são essenciais para criar uma experiência confiável e local a partir da tecnologia global. Ela abordou também a importância de processos de Conheça seu Cliente (KYC), que garantem a segurança no uso de criptoativos, além da necessidade de padronização das informações referentes a cada emissor e lastro das stablecoins. O objetivo, conclui, é permitir que os consumidores diferenciem claramente os produtos disponíveis no mercado, acompanhados de salvaguardas que garantam a segurança e a integridade do setor.

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