S&P rebaixa nota de crédito do BRB e aponta riscos de liquidação em meio a crises e necessidade de capitalização de até R$ 8 bilhões.

A S&P Global, agência respeitada na oferta de índices de crédito, anunciou uma nova queda na classificação de risco do Banco de Brasília (BRB), agora fixada em “brCCC+/brC”. Essa avaliação indica que a instituição está em uma situação vulnerável, dependente de condições favoráveis para honrar seus compromissos financeiros. Este é o segundo rebaixamento do banco em menos de três meses, uma vez que em março deste ano a nota já havia sido reduzida para “brB-/brB”.

A justificativa para esse novo rebaixamento, segundo a S&P, está ligada à crescente incerteza e aos riscos associados ao plano de capitalização do banco, considerado o maior desafio frente às perdas reportadas recentemente. A situação do BRB se deteriorou especialmente desde a deflagração da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, pela Polícia Federal. Essa operação revelou fraudes graves relacionadas à compra de ativos do Banco Master, e expôs fragilidades de governança e conflitos de interesse dentro da própria instituição.

Em resposta à crise, os governos do Distrito Federal e do presidente Lula firmaram um acordo para mitigar as perdas causadas pelas operações fraudulentas do Banco Master, prevendo um empréstimo de até R$ 6,5 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Entretanto, a S&P alerta que, apesar desse empréstimo, a concretização do plano requer uma estruturação complexa e está sujeita a variáveis de mercado e fluxos de recursos públicos. Isso aumenta os riscos de atrasos e incertezas, especialmente em um tempo limitado, considerando a necessidade de capitalização estimada entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões. A agência enfatiza que eventuais falhas no planejamento ou falta de recursos podem levar o banco a um quadro de liquidação.

Como contrapartida pelo socorro, o governo do Distrito Federal implementará um congelamento em reajustes salariais e concursos públicos, além de restringir novos gastos e incentivos fiscais. Em caso de inadimplência, a administração poderá recorrer a fundos municipais e estaduais para tentar sanar a situação.

Históricos recentes mostram que o BRB já tentou adquirir uma parte do Banco Master em março de 2022, mas a compra foi vetada pelo Banco Central após longos meses de análise. Desde então, a Operação Compliance Zero progrediu e resultou na prisão de figuras centrais, como Daniel Vorcaro, ex-dirigente do Banco Master, que enfrentou investigações por fraudes e criação de um braço armado para coação e invasões a sistemas de investigação.

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