Carlos Vitor Guimarães: A Luta e a Superação de um Jovem Injustiçado
Carlos Vitor Fernandes Guimarães, de 25 anos, tem planos claros para o futuro: completar seu curso técnico de enfermagem e passar em um concurso público. Esses objetivos emergiram depois de uma experiência transformadora em um hospital de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde foi internado para tratar um corte na mão. Após essa internação, ele passou a admirar a profissão que agora busca seguir. Entretanto, antes de retomar seus sonhos, Carlos precisou superar um pesadelo: uma prisão injusta que fez seu mundo desmoronar.
Carlos foi solto na última quinta-feira, oito meses após ter sido condenado por um crime que não cometeu. Ele ficou um ano e meio preso no Presídio Evaristo de Moraes, em São Cristóvão. O marco de sua libertação se deve à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que anulou todas as provas contra ele, incluindo um reconhecimento fotográfico falho.
A história da prisão injusta de Carlos começou em 2018, quando sofreu um assalto e perdeu seus documentos. Sem registrar um boletim de ocorrência na época, ele foi surpreendido tempos depois ao ser convocado pela polícia. Seus documentos haviam sido encontrados em um caminhão utilizado para um roubo de carga em São Paulo. Mesmo declarando sua inocência e informando que fora vítima de assalto, Carlos viu sua foto incluída em um álbum de suspeitos. Na audiência judicial de 2021, o motorista do caminhão, confundido pelo tempo e por uma descrição imprecisa, apontou Carlos como um dos ladrões.
Essa identificação resultou na condenação de Carlos a seis anos, cinco meses e 23 dias de prisão no regime semiaberto. Mesmo com evidências mostrando que o jovem usava tranças longas na época do crime, enquanto o verdadeiro assaltante tinha um penteado estilo black power, o tribunal manteve a condenação. A mãe de Carlos, Viviane Vieira, recorda com tristeza os momentos em que lutou desesperadamente para provar a inocência do filho, apenas para ver seus esforços serem rejeitados.
A família não se deu por vencida. Após tentativas frustradas de reverter a prisão no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, recorreram à Defensoria Pública do Estado, que levou o caso ao STJ. Finalmente, em julho de 2024, o desembargador Otávio de Almeida Toledo anulou o reconhecimento fotográfico e absolveu Carlos, devolvendo-lhe a liberdade.
Isabel de Oliveira Schprejer, subcoordenadora de Defesa Criminal, destacou a importância da decisão judicial. A defensora pública ressaltou que erros em reconhecimentos fotográficos frequentemente resultam em prisões injustas, muitas vezes afetando desproporcionalmente a população negra.
Após a absolvição, Carlos expressou alívio e esperança. "Tenho opções agora. Quando estava preso, pensei que minha vida tinha acabado. Como fui absolvido, sinto que posso fazer o que eu quiser”, disse ele, emocionado.
Vivi agora com sua mãe no bairro de Colubandê, em São Gonçalo, Carlos pretende aproveitar cada momento ao lado de sua família, especialmente de sua irmãzinha, com quem sempre compartilhou um vínculo especial. "Agora é aproveitar cada momento", celebrou sua mãe, Viviane, aliviada pelo fim desse capítulo doloroso.
Essa história, marcada por persistência e resiliência, destaca os desafios enfrentados por muitos brasileiros no sistema de justiça do país. A luta de Carlos não é apenas por ele, mas por todos que buscam justiça e, afinal, esperança.