A importância da resolução não é questionada, mas o prazo estipulado para sua execução é alvo de preocupações. Muitas instituições financeiras podem enfrentar dificuldades significativas para cumprir todas as exigências até a data limite. Embora seja possível desenvolver a política, selecionar um diretor responsável e elaborar relatórios durante esse período, o verdadeiro desafio reside na criação de um modelo operacional sustentável que assegure a continuidade da qualidade das informações.
Essa tarefa não é simples. Ela exige uma abordagem integrada que abarca governança, documentação, rastreabilidade, monitoramento de irregularidades e indicadores de qualidade. Para alcançar a eficácia desejada, as instituições precisam desenvolver uma estrutura permanente que garanta a qualidade das informações fornecidas ao regulador, o que, por sua vez, requer tempo e dedicação. Um programa de governança de dados, com responsabilidades bem definidas e processos estruturados, é fundamental para sustentar essa qualidade.
As instituições financeiras estão em níveis variados de maturidade, com algumas já dispondo de estruturas robustas, enquanto outras ainda operam com métodos reativos e manuais. A implementação da resolução pode se assemelhar a um modelo federado; enquanto o BC estabelece diretrizes gerais, cada instituição deve adaptá-las à sua realidade específica.
Um levantamento recente mostra que, em média, as instituições financeiras no Brasil ainda se encontram entre os níveis “reativo” e “inicial” em termos de gestão estratégica de dados. Essa baixa maturidade se reflete na falta de processos e responsabilidades clarificadas, o que pode se tornar um obstáculo na busca pela conformidade com a nova resolução. Portanto, um cronograma com marcos progressivos para a implementação das diretrizes poderia ser mais efetivo, permitindo que as instituições avancem de acordo com suas capacidades reais.
A sugestão para uma implementação por etapas busca preservar os objetivos da resolução, assegurando que a adequação não se limite a meras formalidades, mas que se torne parte integrante da cultura organizacional. Esta abordagem possibilitaria um entendimento mais profundo dos dados críticos, melhoraria a documentação de processos e garantiria uma abordagem proativa na resolução de problemas. Ao final, a efetividade da Resolução Conjunta nº 18 não dependerá apenas de documentos e relatórios, mas da real capacidade das instituições em internalizar uma cultura voltada para a qualidade e a integridade das informações.
