Sistema Financeiro Nacional Enfrenta Desafios para Implantar Nova Resolução de Qualidade de Dados até 2026

Em novembro de 2025, o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central (BC) publicarão a Resolução Conjunta nº 18, uma normativa que exige que instituições do Sistema Financeiro Nacional implementem uma política formal de qualidade das informações. Este novo regulamento determina que tais medidas sejam completamente implementadas até o final de 2026, destacando-se como uma evolução essencial para a governança das instituições financeiras, além de garantir maior segurança e confiabilidade ao sistema.

A importância da resolução não é questionada, mas o prazo estipulado para sua execução é alvo de preocupações. Muitas instituições financeiras podem enfrentar dificuldades significativas para cumprir todas as exigências até a data limite. Embora seja possível desenvolver a política, selecionar um diretor responsável e elaborar relatórios durante esse período, o verdadeiro desafio reside na criação de um modelo operacional sustentável que assegure a continuidade da qualidade das informações.

Essa tarefa não é simples. Ela exige uma abordagem integrada que abarca governança, documentação, rastreabilidade, monitoramento de irregularidades e indicadores de qualidade. Para alcançar a eficácia desejada, as instituições precisam desenvolver uma estrutura permanente que garanta a qualidade das informações fornecidas ao regulador, o que, por sua vez, requer tempo e dedicação. Um programa de governança de dados, com responsabilidades bem definidas e processos estruturados, é fundamental para sustentar essa qualidade.

As instituições financeiras estão em níveis variados de maturidade, com algumas já dispondo de estruturas robustas, enquanto outras ainda operam com métodos reativos e manuais. A implementação da resolução pode se assemelhar a um modelo federado; enquanto o BC estabelece diretrizes gerais, cada instituição deve adaptá-las à sua realidade específica.

Um levantamento recente mostra que, em média, as instituições financeiras no Brasil ainda se encontram entre os níveis “reativo” e “inicial” em termos de gestão estratégica de dados. Essa baixa maturidade se reflete na falta de processos e responsabilidades clarificadas, o que pode se tornar um obstáculo na busca pela conformidade com a nova resolução. Portanto, um cronograma com marcos progressivos para a implementação das diretrizes poderia ser mais efetivo, permitindo que as instituições avancem de acordo com suas capacidades reais.

A sugestão para uma implementação por etapas busca preservar os objetivos da resolução, assegurando que a adequação não se limite a meras formalidades, mas que se torne parte integrante da cultura organizacional. Esta abordagem possibilitaria um entendimento mais profundo dos dados críticos, melhoraria a documentação de processos e garantiria uma abordagem proativa na resolução de problemas. Ao final, a efetividade da Resolução Conjunta nº 18 não dependerá apenas de documentos e relatórios, mas da real capacidade das instituições em internalizar uma cultura voltada para a qualidade e a integridade das informações.

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