Síria busca pacto de segurança com Israel e descarta intervenções militares contra Hezbollah na esperança de uma paz regional duradoura.

Em um importante desdobramento nas relações do Oriente Médio, o presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, anunciou que seu governo está em negociações para estabelecer um acordo de segurança com Israel. Essa iniciativa, conforme declarado por Sharaa, visa criar um espaço propício para uma paz mais abrangente na região, embora ele tenha deixado claro que a Síria não abrirá mão de suas reivindicações sobre as Colinas de Golã, território ocupado por Israel desde 1967.

Durante uma entrevista à emissora Al Jazeera, o líder sírio enfatizou que o objetivo deste pacto é minimizar os confrontos entre as duas nações, especialmente após uma série de incursões israelenses no sul da Síria após a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024. Ele também se manifestou em defesa da soberania libanesa ao descartar a possibilidade de intervenção militar da Síria contra o Hezbollah. Essa posição é significativa, especialmente considerando as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que insinuou que a Síria poderia assumir um papel militar em relação ao Hezbollah, uma sugestão que foi prontamente refutada por Sharaa.

O presidente sírio também fez uma advertência sobre os riscos de uma intensificação da crise no Líbano e a ampliação de conflitos que envolvem os EUA, Israel e Irã, afirmando que tais ocorrências teriam repercussões diretas na estabilidade da Síria e de toda a região. Ele ressaltou que sua administração não está considerando intervenções militares, mas está disposta a colaborar com o Líbano, permitindo que este determine sua própria trajetória de ação.

Além das questões de segurança, Sharaa abordou a situação econômica da Síria, ressaltando que a retirada das sanções impostas por países ocidentais, em especial pelos Estados Unidos, só será efetiva se a Síria for retirada da lista de países que apoiam o terrorismo. Recentemente, António Guterres, secretário-geral da ONU, visitou o país e pediu coletivamente à comunidade internacional o fim das sanções, reforçando o chamado por apoio ao povo sírio.

Em meio a esse cenário complexo, Sharaa reafirmou o comprometimento de seu governo com acordos previamente estabelecidos com as Forças Democráticas Sírias, apesar das dificuldades na implementação. Essa situação representa um momento delicado para a Síria, uma nação marcada por instabilidade, e as negociações em curso podem ter repercussões significativas para a geopolítica regional nos próximos anos.

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