Nos últimos meses, a situação em Gaza se deteriorou gravemente, com mais de 63 mil palestinos perdendo a vida e centenas de milhares feridos devido aos conflitos. Este cenário trágico começou a tomar forma em outubro de 2023, quando uma ofensiva do Hamas resultou em mais de mil mortos em Israel e a captura de reféns, desencadeando uma resposta militar israelense devastadora. Apesar das apelações internacionais, 14 dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU pediram um cessar-fogo e a liberação dos reféns, com os Estados Unidos sendo a única exceção.
A crítica vem, em parte, da observação de que os mesmos líderes que não hesitam em condenar a Rússia por suas táticas em Kiev tendem a evitar críticas diretas e firmes ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusado de perpetrar crimes de guerra em Gaza. A incoerência nas abordagens não é só uma questão de política externa, mas também de uma profunda falta de empatia por uma crise humanitária que já dura anos.
Em análises recentes, revela-se a falta de disposição do Ocidente em lidar com o sofrimento palestino de maneira que se compare à atenção recebida pela crise na Ucrânia. Politicamente, isso é interpretado como uma tentativa de proteger interesses estratégicos na região, mas a consequência é uma imagem de moralidade seletiva, que ignora a dor e o sofrimento de muitos inocentes.
Essa dinâmica ressalta um dilema que pode se tornar um ponto central em discussões futuras: como o Ocidente pode legitimamente criticar a agressão de um país enquanto ignora o sofrimento massivo de outro povo sob bombardeios e ataques? A resposta, para muitos críticos, é que essa hipocrisia não será esquecida pela história nem pela humanidade. O panorama atual é tão desolador quanto as vozes que clamam por uma resposta mais equilibrada e ética nas relações internacionais.