Atualmente, as importadoras respondem por cerca de 25% a 30% do consumo total de diesel no país. Sergio Araújo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Combustíveis (Abicom), alertou que o atraso no ressarcimento das subvenções pelo governo está criando um colapso no fluxo de caixa das empresas. Esse impasse se agrava com a necessidade de as importadoras gastarem seu capital para garantir novas aquisições de combustível, o que se torna um desafio cada vez mais crítico.
A dinâmica funciona da seguinte maneira: os importadores estão autorizados a vender o diesel a um preço com subsídio, baseado em uma tabela de referência da Agência Nacional do Petróleo (ANP), e esperam ser ressarcidos posteriormente pelo governo. Contudo, a ausência de um cronograma claro para os pagamentos agrava o cenário. Araújo ressaltou que as primeiras documentações necessárias para o ressarcimento foram enviadas em abril, mas até o momento nenhum pagamento foi efetuado, e a expectativa de data para o recebimento continua indefinida.
Em um contexto financeiro já difícil, com juros em alta, essa situação reflete diretamente na disponibilidade de diesel no mercado. Embora as obrigações para o mês de maio estejam garantidas, a mesma certeza não pode ser aplicada ao mês de junho, onde a demanda por diesel já apresenta sinais de crescimento, levantando o risco de desabastecimento.
A situação é ainda mais preocupante para pequenas e médias empresas do setor, que enfrentam dificuldades financeiras para operar, diferentemente de gigantes como Petrobras e Vibra, que mantém estruturas de caixa mais robustas. Atualmente, 23 empresas estão habilitadas para o programa de subvenção do diesel, incluindo grandes refinarias e importadoras.
Além disso, a política de subvenção, criada para amenizar o impacto da alta dos preços internacionais do petróleo, enfrenta atraso na liberação dos valores exatos a serem subsidiados pelo governo, complicando ainda mais a realidade do setor. Portanto, a urgência em definir um acordo de cooperação entre ANP e Receita Federal se torna uma prioridade para mitigar a crise de abastecimento que se avizinha. A situação requer atenção imediata, pois um futuro incerto paira sobre o fornecimento de diesel no Brasil.
