Sepultamento de pedreiro morto por confusão policial gera comoção e protestos em São Gonçalo; investigações estão em andamento e PM se afasta dos envolvidos.

Sepultamento de Marcelo da Cruz Silva Concentra Dolorosa Comemoração e Pedidos de Justiça

Nesta quinta-feira (27), o Cemitério São Miguel, em São Gonçalo, foi o cenário de uma profunda manifestação de luto e indignação durante a cerimônia de despedida de Marcelo da Cruz Silva, pedreiro brutalmente assassinado em uma ação policial que confundiu suas ferramentas com armas. A tragédia que ceifou a vida de Marcelo também levou à morte de seu assistente, Edivan Assis, de 46 anos; o corpo de Edivan será sepultado nesta sexta-feira (28).

O clima de comoção foi palpável entre familiares e amigos, que se uniram para prestar suas últimas homenagens a Marcelo. No entanto, por trás da dor da perda, a expectativa de justiça e a revolta contra a atuação da polícia marcaram também a despedida. O caso, que está sob investigação da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, levou à decisão de afastar os policiais do 7º Batalhão da Polícia Militar (Alcântara) envolvidos na ação que resultou nas mortes.

Do lado de fora do cemitério, a presença de um grande efetivo policial não passou despercebida, com dez viaturas do 1º e do 7º BPM, além da Guarda Municipal e do Batalhão de Rondas Especiais. A ostensiva segurança foi montada para prevenir possíveis manifestações de moradores do bairro Jardim Catarina, o que gerou um clima de tensão. Uma das familiares, visivelmente incomodada, não hesitou em expressar sua indignação: “É um desrespeito, depois de tudo o que aconteceu, vocês virem aqui!”

A dor familiar foi ainda mais acentuada pela fragilidade do filho de Marcelo, de apenas 8 anos. Lúcia Almeida, mãe da criança, compartilhou sua apreensão ao dizer que o menino está em tratamento psicoterápico e frequentemente pergunta sobre a situação do pai, inclusive questionando se os policiais envolvidos foram presos. A avó de Marcelo, Maria Cruz, também foi vista em desespero ao lamentar pela perda, sendo amparada por amigos momentos antes do sepultamento.

Enquanto isso, a Polícia Civil investiga o caso, analisando imagens de câmeras corporais dos policiais. A corporação tenta apurar as circunstâncias que levaram à tragédia, já que muitos moradores alegam não ter presenciado a suposta operação policial. A coleta de evidências, como a tripé e régua de obra que estavam com os pedreiros, exemplifica a seriedade da investigação em andamento.

Em pronunciamento, a Polícia Militar assegurou que um procedimento apuratório foi instaurado e que estão colaborando integralmente com a investigação. O organismo reafirmou seu compromisso com a transparência e a busca pela verdade, em meio a um quadro que já se mostrava complexo e repleto de emoções.

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