SENADO FEDERAL – Tecnologias de inteligência artificial combatem máfias das apostas esportivas, discutem representantes governamentais e entidades em audiência pública.

O combate às máfias que manipulam o futebol por meio das apostas esportivas tem encontrado apoio no uso de tecnologias de inteligência artificial (IA). Esse foi um dos principais assuntos discutidos na audiência pública da Comissão do Esporte (CEsp) nesta quarta-feira (20). Representantes do governo e entidades da sociedade debateram os rumos que devem ser tomados para combater o problema, que, segundo o presidente da CEsp, senador Romário (PL-RJ), tem corroído a alma e a essência do futebol brasileiro.

As investigações iniciadas pelo Ministério Público de Goiás em 2023, que revelaram dezenas de casos de jogos com resultados manipulados, foram apontadas por Romário como responsáveis pela pior crise da história do futebol brasileiro. Para tentar enfrentar essa situação, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) defende que o projeto do governo que aumenta a taxação sobre as apostas esportivas deve destinar recursos para fortalecer as estruturas dos Ministérios Públicos (MPs) e da Polícia Federal (PF) na luta contra as máfias.

Diversos especialistas presentes na audiência destacaram a importância do investimento em tecnologia para o monitoramento em tempo real das apostas esportivas. José Francisco Manssur, assessor especial do Ministério da Fazenda, explicou que softwares de IA e tecnologia da informação (TI) podem identificar movimentações suspeitas nas apostas, como apostas expressivas em resultados fora do padrão ou previsões de acontecimentos específicos durante um jogo.

Manssur pediu o apoio do Senado ao projeto de lei que taxa as empresas de apostas esportivas, argumentando que essas empresas movimentam bilhões de reais por ano no Brasil e devem contribuir de acordo. Ele ressaltou que parte das receitas dessas empresas poderia ser usada no desenvolvimento de sistemas de monitoramento de apostas pela IA e TI.

No entanto, Rodrigo Alves, presidente da Associação Brasileira de Apostas Esportivas (Abaesp), se manifestou contra a taxação imposta pelo governo, alertando que isso poderia levar muitas empresas a fechar as portas. Júlio Avellar, diretor de Competições da CBF, afirmou que a entidade tem priorizado o combate à manipulação de resultados e tem firmado parcerias com empresas especializadas em integridade esportiva, como a Sportradar, que realiza o monitoramento do campeonato brasileiro e outras competições.

Além das medidas de combate, os participantes da audiência também ressaltaram a importância de investir em conscientização e educação para prevenir a manipulação de resultados. Guilherme Buso, diretor da Associação Brasileira de Defesa da Integridade do Esporte (Abradie), apresentou os dados da entidade, que mostram um aumento dos casos suspeitos no Brasil nos últimos anos e ressaltou a importância de medidas preventivas.

Rafael Bozzano, subprocurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), defendeu penas mais duras para os atletas envolvidos em fraudes, como o banimento do esporte, e destacou a necessidade de envolver o sistema de arbitragem no combate à manipulação de resultados. O representante do Ministério da Fazenda anunciou a criação de um grupo interministerial, com participação da sociedade civil, para aumentar as ações contra as manipulações nas apostas esportivas.

A crise de manipulação de resultados é considerada a maior mancha da história do futebol brasileiro, e a busca por soluções efetivas envolvendo tecnologia, fiscalização e conscientização é fundamental para preservar a integridade do esporte e combater as máfias que se aproveitam das apostas esportivas. A expectativa é que o Senado apoie as medidas propostas e que o governo atue de forma conjunta com os diversos setores envolvidos para enfrentar esse desafio.

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