Os senadores, como Jaques Wagner (PT-BA), expressaram sua perplexidade ante a mudança nas decisões do Banco Central, destacando que a estrutura de governança e os principais controladores do Master permaneceram inalterados nas gestões. Wagner questionou: “Como a governança pode permear tantas mudanças, sendo que a mesma estrutura se manteve?”
Galípolo justificou as decisões, explicando que as restrições iniciais para a aquisição estavam ligadas à origem questionável dos fundos. Segundo o presidente do BC, novas evidências sobre a solidez financeira emergiram posteriormente durante a presidência de Campos Neto, levando à aprovação da transação.
Em sua colocação, Galípolo mencionou a preocupação crescente em relação à saúde financeira do Banco Master, afirmando que, em janeiro de 2025, a instituição havia começado a criar e vender uma carteira de investimentos, algo que considerou incomum diante da falta de liquidez do banco. Isso, segundo ele, motivou uma investigação interna que culminou em uma sindicância.
O presidente da CAE, Renan Calheiros (MDB-AL), lembrou que o BC havia solicitado um aporte financeiro de R$ 11 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos para evitar a falência da instituição e perguntou por que, se o banco era de “terceira divisão”, essa assistência foi necessária. Galípolo esclareceu que a liquidação do Master implicaria uma responsabilidade total do FGC sobre os depósitos garantidos, levando o fundo a antecipar pagamentos enquanto o banco explorava a possibilidade de venda.
Além disso, os senadores questionaram um encontro entre Galípolo e Vorcaro fora da agenda oficial do presidente Lula, onde Vorcaro expôs suas preocupações sobre concorrência desleal com bancos maiores. Galípolo confirmou a reunião, que foi tratada por Lula como um tema a ser discutido tecnicamente no BC.
Os parlamentares se mostraram preocupados com a eficácia da governança do BC em prevenir possíveis crimes financeiros, enfatizando a necessidade de recursos adequados para fiscalização e supervisão. Galípolo defendeu a Proposta de Emenda à Constituição que visa aumentar a autonomia do Banco Central, argumentando que a autoridade monetária precisa de suporte para competir com a crescente complexidade do sistema financeiro.
A discussão em torno do Banco Master suscitou uma reflexão mais ampla sobre a integridade dos sistemas de controle interno e a articulação entre os diversos órgãos reguladores, ressaltando um sentimento generalizado de que as falhas estruturais vão além das operações de um único banco.