SENADO FEDERAL – Senador Eduardo Girão Questiona Indicação de Benedito Gonçalves para Corregedoria do CNJ e Critica Delação Seletiva de Empresário Envolvido em Escândalo Financeiro

O senador Eduardo Girão, do partido Novo, manifestou suas preocupações em relação à indicação do ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para assumir a corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) durante o biênio de 2026 a 2028. Durante uma sessão no Plenário nesta terça-feira, Girão destacou a importância da independência e autonomia que a função exige, além da necessária credibilidade pública, uma vez que o corregedor é responsável por fiscalizar, de forma administrativa e disciplinar, o desempenho dos magistrados em todo o território nacional.

O senador ressaltou que, em sua visão, há uma série de circunstâncias que devem ser levadas em conta pela Casa durante a avaliação da indicação. Ele mencionou a participação de Benedito Gonçalves em decisões no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e recordou uma situação específica da cerimônia de diplomação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual o magistrado fez um cumprimento que Girão interpretou como demasiado entusiástico em relação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Girão afirmou que esse tipo de atitude transmite à população uma percepção de falta de imparcialidade, evocando a frase proferida por Gonçalves: “Missão dada é missão cumprida”.

Além disso, o senador trouxe à tona ações recentes do magistrado, como seu papel no julgamento que resultou na cassação do mandato do deputado federal Deltan Dallagnol. Girão argumentou que episódios de ativismo judicial, percebidos como perseguições, têm contribuído para o desgaste da imagem dos tribunais superiores diante da sociedade, minando a credibilidade dessas instituições.

Por outro lado, o senador também abordou as especulações sobre um possível acordo de colaboração premiada envolvendo o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Girão expressou inquietude sobre a possibilidade de uma “meia delação”, que, a seu ver, não traria informações substanciais aos inquéritos em andamento. Ele desafiou a relevância dessa delação, questionando a motivação por trás de eventuais proteções a figuras de autoridade, e enfatizou a necessidade de que Vorcaro forneça informações concretas e relevantes para que a investigação avance e que a sociedade conheça a verdade dos fatos. Girão concluiu enfatizando que a responsabilidade dos envolvidos não deve se limitar à quantia a ser devolvida, mas sim à expurgação de possíveis irregularidades que permeiam o caso.

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