Durante seu pronunciamento, Paim ressaltou sua experiência como presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Previdência, que, segundo ele, demonstrou que o sistema previdenciário brasileiro é, na verdade, superavitário. O senador atribuiu as dificuldades enfrentadas pela Previdência a uma série de falhas de gestão, incluindo má administração, corrupção, desonerações tributárias, sonegação fiscal e uma vigilância inadequada que permitiu que dívidas bilionárias de grandes grupos econômicos não fossem cobradas.
“É uma ilusão pensar que a solução está na privatização. Por trás disso, há um desejo de acabar com a seguridade social como a conhecemos, criando um cenário onde apenas quem tem condições financeiras pode contar com uma aposentadoria digna. O problema real não é o modelo da Previdência, mas sim a maneira como os recursos são administrados”, destacou Paim.
O senador enfatizou que, sem os benefícios previdenciários e assistenciais, cerca de 42% da população brasileira estaria vivendo em condições de pobreza. Diante desse cenário, ele sugeriu mudanças significativas na forma de financiamento da Previdência, propondo a substituição da atual contribuição sobre a folha de pagamento por uma taxação sobre o faturamento das empresas. Paim definiu essa alternativa como um caminho “justo, solidário e sustentável”, que fortaleceria a Previdência e beneficiaria os setores que mais geram empregos.
Por fim, Paim fez um apelo à preservação da Previdência Social, destacando que defender esse sistema é uma forma de defender o povo brasileiro. “Num país marcado por desigualdades, enfraquecer a Previdência é ampliar o abismo social e condenar milhões de idosos a uma velhice sem segurança”, concluiu. A preocupação com o futuro da seguridade social no Brasil continua sendo um tema de intenso debate e mobilização.