Girão destacou a alarmante situação na cidade de Maracanaú, um município com 234 mil habitantes que se consolidou como um dos maiores polos industriais do Nordeste, embora tenha visto sua vitalidade ameaçada. O senador relatou que, devido à imposição de um toque de recolher determinado por grupos criminosos, empresas foram obrigadas a reduzir seus turnos, afetando diretamente a capacidade produtiva. Ele declarou: “As facções determinaram que ninguém poderia transitar pela cidade antes das 5h da manhã e depois das 22h. Isso é um toque de recolher de um Estado paralelo.” A cidade, que historicamente tem sido vista como um modelo de oportunidades e tranquilidade, agora enfrenta uma grave crise de segurança.
Além de discutir as questões relacionadas à segurança pública, Girão também criticou a maneira como está sendo conduzida a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Em sua visão, a alteração na composição da comissão — que movimentou senadores que tinham acompanhado as discussões para outros membros que não estavam envolvidos — comprometeu a votação do relatório final, numa tentativa clara de influenciar os resultados. O parlamentar frisou que essa mudança ocorreu de forma estratégica, com o objetivo de barrar a aprovação de um relatório que pedia o indiciamento de altos membros do Judiciário.
“Essa manobra, que culminou em uma derrota por apenas dois votos, revela um cenário preocupante para nossa democracia”, disse Girão, evidenciando seu descontentamento com as interferências políticas que, segundo ele, têm minado a transparência e a integridade do processo legislativo. A situação não apenas expõe a fragilidade do sistema de segurança, mas também levanta sérias questões sobre a governança e a transparência nas instituições do país.






