A decisão de Noelia foi motivada por intensas dores crônicas e depressão profunda, situações com as quais ela lutava. No entanto, sua escolha foi contestada por seu pai, que passou quase dois anos buscando auxílio nos tribunais para proteger a vida da filha. Girão enfatizou o desespero e a luta do pai, que percorreu cinco instâncias judiciais em busca de uma resposta, chegando até o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, sem sucesso. O senador questionou a falha do Estado espanhol, que, segundo ele, silenciou o clamor de um pai desesperado, fazendo com que a estrutura estatal prevalecesse sobre o amor paternal.
O senador argumentou que o dever do Estado não deve ser facilitar o caminho para a morte, mas proporcionar tratamento, apoio e assistência a indivíduos em situação de vulnerabilidade. “A resposta ao sofrimento humano jamais pode ser a morte. O que precisamos oferecer é cuidado”, declarou. Girão ressaltou os avanços significativos na medicina, psiquiatria e psicoterapia, enfatizando que existem recursos e tratamentos eficazes disponíveis que podem aliviar o sofrimento.
O pronunciamento do senador ecoa uma preocupação crescente sobre as consequências éticas e sociais da eutanásia, ressaltando que a abordagem ao sofrimento deve ser baseada em cuidados e não em ações que possam levar à morte. Girão concluiu sua fala reafirmando que a transformação das condições de vida e a melhoria do suporte a cada indivíduo são essenciais para garantir que ninguém precise enfrentar a morte por falta de cuidado, amor ou assistência. Essa discussão sobre a eutanásia ressoa em muitos países, refletindo a complexidade e a sensibilidade do tema no contexto contemporâneo.





