SENADO FEDERAL – Senado promove transformação na vida de mulheres vítimas de violência com cota de empregos e novas oportunidades

Este ano, Ana Maria, cuja identidade foi alterada por motivos de segurança, completa sete anos de sua jornada no Senado, uma trajetória que, para ela, vai muito além da vida profissional, representando um marco de libertação e reconstrução pessoal. Ao ingressar no Senado, Ana Maria não havia concluído o ensino médio e vivia sob o domínio de um parceiro que restringia suas amizades, estudos e qualquer forma de autonomia. A realidade que ela enfrentava era comum a muitas mulheres em situações semelhantes, acometidas pela violência doméstica.

Hoje, Ana Maria é bacharel em Criminologia, possui pós-graduação em Balística Forense, Perícia Grafotécnica e Documentoscopia, e ainda exerce a profissão de tanatopraxista e necromaquiadora em seu tempo livre, tudo isso graças à iniciativa de inclusão do Senado. Este reconhecimento a levou a buscar novos horizontes, incluindo a preparação para concursos públicos. Sua transformação começou a partir da implementação de uma cota de 2% destinada a mulheres em situação de vulnerabilidade proveniente de violência doméstica, uma ação que foi estabelecida em 2016.

A medida foi inspirada por uma campanha do Senado que arrecadou itens de higiene e autoestima para mulheres em dificuldades. Essa ação despertou a reflexão entre os servidores da Casa sobre as barreiras que mantinham as mulheres em relações violentas, levando à conclusão de que a dependência econômica era um dos principais obstáculos para abandonar esses ciclos.

A cota, que assegura que, nas contratações terceirizadas com 50 ou mais vagas, pelo menos 2% sejam preenchidas por mulheres em vulnerabilidade, teve um impacto significativo. Antes da contratação, a seleção das candidatas é feita em conjunto com a Secretaria de Estado da Mulher do Distrito Federal, garantindo que as postulantes atendam aos critérios necessários.

Além de oferecer uma oportunidade justa, a cota tem promovido um ambiente mais empático e respeitoso no Senado, uma vez que a identidade daquelas que entram pela cota permanece anônima, assegurando um clima organizacional onde todas são tratadas com dignidade. Com a junção de esforços, o Senado tem se tornado um modelo de mudança, influenciando até mesmo a legislação federal, que agora inclui uma cota de 8% para mulheres vítimas de violência em contratos administrativos. Esta experiência confirma que a transformação social pode começar no ambiente de trabalho, impactando não somente a vida individual, mas também a estrutura familiar e comunitária.

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