Hoje, Ana Maria é bacharel em Criminologia, possui pós-graduação em Balística Forense, Perícia Grafotécnica e Documentoscopia, e ainda exerce a profissão de tanatopraxista e necromaquiadora em seu tempo livre, tudo isso graças à iniciativa de inclusão do Senado. Este reconhecimento a levou a buscar novos horizontes, incluindo a preparação para concursos públicos. Sua transformação começou a partir da implementação de uma cota de 2% destinada a mulheres em situação de vulnerabilidade proveniente de violência doméstica, uma ação que foi estabelecida em 2016.
A medida foi inspirada por uma campanha do Senado que arrecadou itens de higiene e autoestima para mulheres em dificuldades. Essa ação despertou a reflexão entre os servidores da Casa sobre as barreiras que mantinham as mulheres em relações violentas, levando à conclusão de que a dependência econômica era um dos principais obstáculos para abandonar esses ciclos.
A cota, que assegura que, nas contratações terceirizadas com 50 ou mais vagas, pelo menos 2% sejam preenchidas por mulheres em vulnerabilidade, teve um impacto significativo. Antes da contratação, a seleção das candidatas é feita em conjunto com a Secretaria de Estado da Mulher do Distrito Federal, garantindo que as postulantes atendam aos critérios necessários.
Além de oferecer uma oportunidade justa, a cota tem promovido um ambiente mais empático e respeitoso no Senado, uma vez que a identidade daquelas que entram pela cota permanece anônima, assegurando um clima organizacional onde todas são tratadas com dignidade. Com a junção de esforços, o Senado tem se tornado um modelo de mudança, influenciando até mesmo a legislação federal, que agora inclui uma cota de 8% para mulheres vítimas de violência em contratos administrativos. Esta experiência confirma que a transformação social pode começar no ambiente de trabalho, impactando não somente a vida individual, mas também a estrutura familiar e comunitária.
