A senadora Zenaide Maia destacou a importância de dar visibilidade à luta das mulheres negras contra o racismo e a discriminação. Em sua fala, ela relembrou o primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, ocorrido em 1992 na República Dominicana, que impulsionou a criação da Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-Caribenhas em parceria com a ONU.
“O lançamento deste guia representa mais um passo na direção de uma sociedade mais justa e igualitária. Celebramos hoje não só os avanços, mas também a necessidade de refletirmos sobre os desafios que ainda persistem. Precisamos derrubar os obstáculos que nós mesmos criamos e que tornam tão difícil a vida das mulheres negras no Brasil”, enfatizou.
Durante a sessão, foi firmado um acordo entre o Senado e o Ministério da Igualdade Racial, destinado a fortalecer práticas antirracistas e promover o acesso à informação. A senadora Zenaide Maia anunciou que uma das primeiras iniciativas resultantes dessa parceria é justamente o lançamento do referido guia.
Dados do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) de 2020 revelam a disparidade de tratamento no Brasil: a diferença salarial entre um homem branco e uma mulher negra com mesma formação supera os 100%. Além disso, 66% dos homicídios femininos em 2017 tiveram como vítimas mulheres negras. Esses números ilustram a urgência de fomentar a representação política feminina negra no país.
A ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edilene Lôbo, também participou e reforçou a necessidade da presença de mulheres negras nos espaços de poder para que a democracia se torne realmente inclusiva. “O Brasil tem um encontro marcado com uma democracia transformadora. Precisamos tirar do papel e trazer para a prática a presença de mulheres negras nesses espaços de decisão”, pontuou Edilene.
Outro aspecto relevante abordado foi a introdução de cotas na diplomacia. Claudia de Angelo Barbosa, do Ministério das Relações Exteriores, destacou que o Brasil permanece comprometido com a Declaração e Plano de Ação de Durban e apoia a renovação da Década Internacional de Afrodescendentes. Ela mencionou que o Instituto Rio Branco, responsável pela formação de diplomatas, oferece bolsas para candidatos negros há 22 anos e continuará a incrementar essas oportunidades, destinando 35 vagas para mulheres negras em 2024.
Maria Helena Guarezi, do Ministério das Mulheres, concluiu ressaltando a importância de políticas públicas inclusivas e justas, defendendo uma sociedade com oportunidades iguais para todos. “A presença das mulheres negras na política é essencial para a construção de um Brasil verdadeiramente democrático”, afirmou.
A sessão no Senado, ao longe de uma simples comemoração, configurou-se como um marco de resistência e um convite à reflexão e à ação sobre as desigualdades persistentes na sociedade brasileira.





