A sabatina de Tarcijany Machado ocorreu mais cedo, durante a reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde obteve 23 votos favoráveis e quatro contrários. A votação no Plenário foi realizada em caráter secreto, sem que houvesse qualquer debate prévio sobre a nomeação.
Durante a sabatina, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) destacou a relevância de uma mulher assumir a liderança da DPU, enfatizando a necessidade de aumentar a representatividade feminina em posições de comando. Segundo Gama, as mulheres representam em média apenas 15% dos postos de maior relevância no país, tanto no Judiciário quanto no Executivo e Legislativo. Ela defendeu uma mobilização coletiva para promover uma maior presença feminina em tais esferas de poder.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) também se pronunciou, salientando a importância da Defensoria Pública na proteção dos direitos fundamentais e no combate a desigualdades sociais e raciais. Ele reforçou que a DPU é uma instituição que luta pela efetivação dos direitos humanos e pela igualdade de gênero, sempre com uma perspectiva humanizadora para atender a população mais vulnerável.
Tarcijany Machado é defensora pública federal desde 2013, após iniciar sua trajetória como defensora pública no Estado do Pará em 2011. Com formação em Direito pela Universidade de Fortaleza e especialização em Direito Público pela Universidade Anhanguera, ela atualmente ocupa a função de defensora substituta regional de Direitos Humanos no Ceará e é membro ativo em grupos de trabalho voltados para moradia e tráfico de pessoas.
Ao abrir sua sabatina, Tarcijany enfatizou a missão da DPU de atender às necessidades da população mais carente e garantir que seus direitos sejam reconhecidos. A Defensoria Pública da União, que há mais de dois anos não tem uma mulher no cargo de defensora pública-geral federal, desempenha um papel fundamental ao oferecer assistência jurídica gratuita a aqueles que não têm condições de contratar um advogado.
A DPU atua não só no âmbito judicial, mas também se empenha na resolução de conflitos por meio de mediação e conciliação, almejando amenizar a judicialização em diversas áreas, como saúde, educação e questões trabalhistas, além de casos no âmbito criminal federal.
O cargo de defensor público-geral federal é atribuído ao profissional que, além de coordenar a instituição, a representa judicial e extrajudicialmente e também preside o Conselho Superior. A escolha passa por um processo que envolve a elaboração de uma lista tríplice pelos membros da DPU e a posterior indicação do presidente da República, seguida da aprovação pelo Senado. O mandato é de dois anos, com possibilidade de recondução. Essa nova indicação certamente representa um passo significativo na busca por maior equidade de gênero nas instituições brasileiras.







