Este acordo de reestruturação da dívida, que remonta a 2004, é um marco nas tratativas financeiras entre Brasil e Bolívia. No escopo do acerto, o Brasil perdoou aproximadamente 95,73% do total da dívida, deixando à Bolívia a responsabilidade de quitar o montante remanescente. A dívida, originada de compromissos não cumpridos em acordos de reestruturação e refinanciamento datados da década de 1980, refletia créditos brasileiros destinados a exportações, bem como aportes ao Fundo de Desenvolvimento Brasil-Bolívia e outras operações relacionadas ao Seguro de Crédito à Exportação.
Em 1998, a Bolívia enfrentava um cenário de severas dificuldades financeiras que mobilizou a comunidade internacional em busca de soluções para a redução de sua dívida externa. O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial desempenharam um papel crucial nesse processo. Como resultado, a Bolívia passou a receber um tratamento especial dos credores do chamado Clube de Paris, e o Brasil se juntou aos esforços internacionais para amenizar a pressão da dívida sobre o país andino.
Após extensas negociações, em abril de 2003, o total da dívida foi consolidado em US$ 50.828.244,64. Ao final, foi acordado um perdão no valor de US$ 48.659.368,11, ficando a Bolívia responsável pelo saldo restando de US$ 2.168.876,53. O acordo previu ainda a possibilidade de um desconto a depender do cumprimento dos prazos de pagamento.
Em um desdobramento emblemático, a Bolívia optou por quitar a parcela final com a entrega de um imóvel em La Paz, avaliado em US$ 2.090.695. O edifício, onde funciona a Chancelaria da Embaixada do Brasil, foi oficializado como pagamento e a transação elevada a propriedade do Brasil.
Além disso, a renegociação incluiu a extinção do Fundo de Desenvolvimento Brasil-Bolívia, transferindo seus ativos e passivos ao Tesouro Nacional, que recebeu um montante significativo em créditos e valores.
Embora o acordo tenha sido assinado em 2004, era necessário passar pela autorização do Senado para sua plena validade. Em 2008, embora tenha sido autorizada a entrega do imóvel, as outras condições financeiras não foram tratadas, o que fez com que o tema retornasse ao Senado para aprovação, consolidando todas as condições da renegociação. A recente aprovação no plenário representa, portanto, um desfecho importante para um processo que respeita a relação entre os dois países na esfera financeira e diplomática.




