SENADO FEDERAL – Senado Analisa Projeto de Lei Para Incentivar Doação de Cabelo a Pacientes com Câncer e Vítimas de Escalpelamento

Nesta quinta-feira (15), a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado realizou uma audiência pública para discutir uma proposta de incentivo à doação de cabelo para pessoas carentes em tratamento de câncer e vítimas de escalpelamento. A medida, contemplada no PL 610/2021, que já recebeu aprovação da Câmara dos Deputados, visa instituir uma campanha nacional de doação de cabelo durante a semana do Dia Nacional de Combate ao Câncer, comemorado em 27 de novembro.

Lenize Baseggio, coordenadora de acolhimento da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Brasília, destacou a importância da campanha de conscientização sobre a doação de cabelos. Ela explicou que, para efetuar uma doação, o cabelo precisa ter pelo menos 25 centímetros de comprimento e deve estar previamente lavado e seco. Lenize frisou que a falta de cabelo pode levar ao isolamento social, enquanto as perucas de cabelo natural oferecem benefícios que vão além da estética.

“A gente vai poder amenizar um pouco da dor dessas mulheres que sofrem a perda dessa parte visual tão importante. Elas voltam a se enxergar como eram antes, o que favorece psicológica e emocionalmente a saúde dessas pessoas e melhora sua qualidade de vida”, afirmou Lenize.

Ela também mencionou a existência de uma lei no Distrito Federal que institui um selo de reconhecimento para salões que encaminham cabelos a instituições produtoras de perucas. Além disso, sugeriu que o Sistema Único de Saúde (SUS) poderia fornecer próteses capilares, uma ideia que a senadora Damares Alves, relatora do projeto na CAS, manifestou apoio, apontando a dificuldade das vítimas de escalpelamento no Marajó em obter perucas devido à ausência de instituições locais para tal finalidade.

Lúcia Brugnera, presidente do Instituto Hera Artemisul (Casa da Mulher Paulistana), concordou com a necessidade de ampliar o acesso a perucas nas regiões ribeirinhas do Norte do Brasil, onde os casos de escalpelamento são mais frequentes. Segundo ela, o acidente deforma o formato da cabeça e torna o couro cabeludo extremamente sensível, especialmente em climas quentes e úmidos, tornando crucial a produção de perucas personalizadas para essas vítimas.

Lúcia também sugeriu que as vítimas de escalpelamento recebam benefícios legais específicos, semelhantes aos concedidos às vítimas de câncer. Além das dificuldades estéticas, essas pessoas enfrentam obstáculos significativos na capacitação profissional e na geração de renda.

Paula Elaine Diniz dos Reis, coordenadora-geral da Liga de Combate ao Câncer da Universidade de Brasília (UnB), ressaltou que a entrega de perucas não só empodera as vítimas de câncer como também proporciona uma vivência emocionalmente significativa para todas as envolvidas no processo. No entanto, ela alertou para os altos custos e a necessidade de mão de obra especializada na confecção de perucas, sugerindo a busca de estratégias para angariar fundos e capacitar profissionais.

Essa discussão reforça a importância de iniciativas que busquem minimizar o sofrimento das pessoas que enfrentam desafios tão árduos e promovam sua reintegração social e emocional.

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