A Cide é um tributo federal que incide sobre a comercialização de combustíveis, destinando suas receitas a investimentos em infraestrutura de transporte e projetos ambientais. Este projeto, que estava sob a liderança do ex-senador Antonio Anastasia e foi relatado pelo senador Veneziano Vital do Rêgo, destaca a necessidade de uma abordagem moderna e integrada para o transporte, considerando a validade da legislação atual e a realidade dos sistemas de mobilidade.
Originalmente, o PL 3.278/2021 buscava modificar diversas leis, como a Política Nacional de Mobilidade Urbana e o Estatuto da Cidade. Contudo, em resposta a demandas do setor, foi apresentado um marco legal mais abrangente que vislumbra um transporte público coletivo intermunicipal, interestadual e internacional mais coerente e eficiente. Uma das propostas mais relevantes é a obrigatoriedade de que os novos subsídios não afetem as tarifas dos usuários regulares, criando um sistema mais justo e sustentável.
O projeto define um prazo de cinco anos para que vertentes governamentais adaptem suas legislações de acordo com as novas normas, reforçando que os recursos provenientes da Cide devem se concentrar em áreas urbanas, priorizando cidades com programas que garantam a modicidade tarifária. Para trazer mais robustez ao sistema, também é previsto um financiamento que poderá vir de contrapartidas de empreendimentos e da comercialização de créditos de carbono, entre outras fontes.
Outra inovação importante diz respeito às tarifas, que estarão desvinculadas da remuneração das empresas de transporte. Isso significa que receitas alternativas poderão ser utilizadas para melhorar a qualidade do serviço sem onerar o usuário final. A proposta também traz novas atribuições para a União, como a necessidade de monitorar os sistemas de transporte e garantir padrões de qualidade.
Por fim, a legislação será rigorosa em relação ao transporte ilegal, com a possibilidade de aplicação de multas e a apreensão de veículos. A criação de uma entidade reguladora municipal permitirá um controle mais eficiente e uma maior autonomia nas decisões que envolvem o setor de transporte.
Essas mudanças refletem a urgência por melhorias na mobilidade urbana e a necessidade de legislação que responda à complexidade dos desafios enfrentados nas grandes cidades brasileiras. O projeto agora aguarda a sancionamento, podendo marcar um novo capítulo na história do transporte público no país.
