SENADO FEDERAL – “Profissionais de saúde indígena enfrentam precariedade e violência, alertam em audiência do Senado sobre riscos à assistência nas comunidades”

Os profissionais de saúde que prestam atendimento aos povos indígenas no Brasil enfrentam um cenário alarmante de precariedade e violência. Durante uma audiência pública organizada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado, foram revelados relatos que destacam as grave condições de trabalho enfrentadas por esses trabalhadores. A senadora Damares Alves, presidente da comissão, expressou preocupação com a situação, enfatizando que os episódios de violência não apenas colocam em risco a integridade física desses profissionais, mas também comprometem a assistência à saúde das comunidades indígenas, um direito fundamental garantido pela Constituição.

Damares ressaltou que é responsabilidade do Estado garantir que os trabalhadores da saúde atuem em condições dignas e seguras. “A proteção daqueles que cuidam da saúde dos povos indígenas é crucial para fortalecer as políticas de atendimento”, afirmou. A senadora destacou ainda a importância da permanência desses profissionais nas comunidades, ressaltando que eles constroem a confiança necessária para um atendimento eficaz.

Um evento trágico que marcou a audiência foi o assassinato do agente de saúde indígena Geovane Yanomami, ocorrido em julho durante um conflito entre comunidades em Roraima. Joana Gouveia Mendes, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimento Privado de Serviço de Saúde do Estado, relembrou o caso como um exemplo da violência que esses profissionais sofrem, incluindo assédios morais e sexuais, bem como a desvalorização de sua função. A impunidade em relação a esses crimes gerou um clima de frustração e desmotivação, levando muitos trabalhadores a hesitar em atuar em áreas de risco.

A audiência também trouxe à tona questões logísticas que dificultam o acesso a regiões remotas onde vivem as comunidades indígenas. Lurdelice Capitâ, do Fórum de Presidentes de Conselhos Distritais de Saúde Indígena, destacou a falta de transporte adequado, que muitas vezes obriga os profissionais a percorrer longas distâncias a pé em condições inseguras e adversas.

Os depoimentos evidenciaram a realidade desafiadora que os trabalhadores enfrentam, incluindo problemas de saúde física e mental, agravados pela falta de infraestrutura e recursos. Graciete Mouzinho, presidente de um sindicato no Amazonas, alertou para a falta de água potável e alimentação adequada, o que aumenta os riscos de problemas de saúde.

No total, o Brasil abriga cerca de 1,7 milhão de indígenas, pertencentes a 391 etnias, de acordo com dados do IBGE. Para a senadora Damares, essa diversidade cultural requer políticas públicas adaptadas às especificidades de cada povo. Lurdelice e outros participantes da audiência clamaram por mais atenção das autoridades às dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde e pelas comunidades.

Além das discussões abordadas, a senadora anunciou a realização de um ciclo de debates que irá aprofundar a questão dos direitos humanos e do desenvolvimento dos povos indígenas no Brasil, evidenciando a necessidade urgente de ações efetivas nessa área.

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