SENADO FEDERAL – Plenário aprova emendas parlamentares para atender serviços pré-hospitalares dos bombeiros; senadores divergem sobre impacto na saúde pública.

Nesta quarta-feira, o Plenário do Senado aprovou, com 65 votos a favor e apenas 2 contra, um projeto de lei complementar que possibilita a alocação voluntária de emendas parlamentares destinadas à saúde para os atendimentos pré-hospitalares realizados pelos corpos de bombeiros. O projeto, conhecido como PLP 18/2021, agora aguarda sanção presidencial.

Na discussão que precedeu a votação, os apoiadores da proposta ressaltaram a importância fundamental do papel desempenhado pelos bombeiros no atendimento de primeiros socorros no Brasil. Este serviço, segundo eles, é vital para a preservação de vidas. No entanto, membros da base governista expressaram preocupações sobre o possível impacto dessa mudança no financiamento da saúde, temendo que o desvio de recursos possa prejudicar os atendimentos regulares.

A nova medida proíbe expressamente que as emendas parlamentares sejam utilizadas para remunerar pessoal ativo ou inativo dos corpos de bombeiros, assim como para finalidades que não estejam diretamente ligadas ao atendimento pré-hospitalar. O projeto foi apresentado pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP) e recebeu parecer favorável do senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que optou por rejeitar todas as emendas propostas durante a análise no Plenário.

Durante sua argumentação, Nelsinho Trad destacou que a proposta, ao contrário de gerar novas despesas, tem o objetivo de reforçar os recursos destinados ao serviço de atendimento pré-hospitalar dos bombeiros. Ele enfatizou que a medida não alterará o equilíbrio das contas públicas, isentando-a da necessidade de estimativa de impacto econômico.

Vários senadores se manifestaram em defesa da proposta, incluindo figuras como Marcos Pontes (PL-SP) e Damares Alves (Republicanos-DF). Entretanto, houve discussões acaloradas, como a do senador Rogério Carvalho (PT-SE), que alertou para o que ele considera um “processo de desmonte da saúde pública” no país. Carvalho argumentou que a atuação dos bombeiros em emergências não deve ser classificada como atendimento de saúde.

Por sua vez, Humberto Costa (PT-PE) reconheceu a importância do projeto, mas frisou que o financiamento deve ser estruturado de forma que não comprometa os recursos já escassos da saúde pública. Em resposta às críticas, Nelsinho Trad defendia que a proposta é simples e que não força a alocação de recursos, mas sim oferece uma opção a quem desejar destinar emendas para este fim.

Essa proposta gerou um debate significativo sobre a orientação e a sustentabilidade do financiamento da saúde no Brasil, evidenciando as tensões entre diferentes áreas de atendimento e a gestão de recursos públicos. A expectativa agora se volta para a sanção presidencial, que definirá os próximos passos em relação a essa controvérsia.

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