SENADO FEDERAL – Paraíba Exige Maior Reconhecimento Histórico na Confederação do Equador em Audiência Pública

Na tarde desta quinta-feira (8), a Assembleia Legislativa da Paraíba, localizada em João Pessoa, foi palco de uma audiência pública que trouxe à tona importantes discussões sobre o reconhecimento do papel da Paraíba na Confederação do Equador. A audiência foi promovida pela comissão temporária do Senado, encarregada de planejar as comemorações dos 200 anos da revolta que teve início em 1824, no Nordeste do país, e que desafiou a monarquia de Dom Pedro I, defendendo a implantação de um regime republicano.

Presidida pelo senador André Amaral (União-PB), a reunião destacou a importância da Confederação do Equador na consolidação da unidade nacional e na formação da identidade nordestina e dos ideais democráticos. Amaral enfatizou a relevância do movimento na Paraíba, onde ocorreram intensos confrontos armados, e questionou a ausência de registros históricos que evidenciem a participação do estado no que ele considera um dos maiores conflitos internos do Brasil.

— Os ideais de liberdade, democracia e cidadania moveram a todos os paraibanos, sobretudo do interior do estado, a não aceitarem a imposição de Dom Pedro I na indicação dos governantes da província — afirmou o senador.

Em uma mensagem de vídeo, o senador licenciado Efraim Filho (PB) também reforçou a necessidade de um resgate histórico, destacando o papel decisivo da Paraíba na Confederação do Equador. Ele apontou a esperança de que o Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP) contribua com documentos que atestem a memória dos eventos.

— É uma alegria contribuir com a participação da Paraíba neste evento histórico que moldou muitos dos acontecimentos que vieram em sequência — disse Efraim Filho.

Também em uma mensagem de vídeo, a senadora Teresa Leitão (PT-PE), presidente da comissão, afirmou que, apesar da repressão imposta pelo Império, os ideais da Confederação do Equador continuam vivos:

— Não foi um movimento separatista, mas um movimento federativo. Por isso é tão atual.

Representando o IHGP, Josemir Camilo de Melo ressaltou que, embora Pernambuco seja frequentemente considerado o epicentro da Confederação do Equador, a Paraíba e o Ceará também merecem reconhecimento. Ele revisitou os eventos da revolução e os atos arbitrários de Dom Pedro I que levaram as províncias a se rebelarem contra o poder central.

O professor Ângelo Emílio da Silva Pessoa, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), rejeitou a visão do conhecimento histórico como mero “repositório de curiosidades” e defendeu o estudo aprofundado da Confederação do Equador para uma melhor compreensão dos desafios contemporâneos. Ele chamou atenção para a rejeição das províncias à Constituição outorgada por Dom Pedro I, que centralizava o poder e eliminava o controle local.

Andreza Rodrigues dos Santos, professora da rede estadual da Paraíba, exibiu um vídeo sobre a Batalha do Riacho das Pedras, em Itabaiana, destacando a liderança de Félix Antônio Ferreira de Albuquerque. Ela lamentou a escassez de material didático sobre o tema, ressaltando a necessidade de mais recursos para os professores de História.

O ex-deputado federal André Amaral Filho reforçou a importância de reconhecer o papel político da Paraíba na resistência ao autoritarismo do poder central e lamentou a falta de conhecimento sobre a participação do estado em eventos de relevância nacional, incluindo a Confederação do Equador.

A comissão temporária do Senado visa planejar e coordenar as atividades alusivas ao bicentenário da Confederação do Equador, um marco nas lutas democráticas do Brasil. A revolução, iniciada em 2 de julho de 1824 em Pernambuco, rapidamente se espalhou para outras províncias como Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte, sendo severamente combatida pelas tropas leais ao imperador Dom Pedro I.

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