SENADO FEDERAL – Especialistas destacam cuidado com a saúde mental como prioridade na prevenção ao suicídio e à automutilação

Especialistas afirmam que a prevenção ao suicídio e à automutilação está diretamente ligada ao cuidado com a saúde mental. Essa foi a principal mensagem transmitida durante a audiência pública realizada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) para discutir a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, que foi instituída pela Lei nº 13.819 de 2019.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), autora do pedido para a audiência, ressaltou a importância de se tratar o suicídio como um problema de saúde pública. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais pessoas morrem por suicídio do que por doenças como aids, malária ou câncer de mama. Portanto, é fundamental que o tema seja abordado de forma adequada e que todos tenham consciência de que o suicídio é um problema que demanda atenção e ação do poder público.

Um dos pontos destacados pelos participantes da audiência é a ausência de políticas públicas adequadas para a assistência psiquiátrica no Brasil. O país já possui uma lei que trata da prevenção ao suicídio, porém as ações nesse sentido ainda se concentram no setor privado. É necessário que haja qualidade e resolutividade no sistema público de saúde, incluindo a disponibilidade de medicamentos psiquiátricos na Farmácia Popular.

Nesse contexto, a campanha Setembro Amarelo ganha relevância ao concentrar esforços na conscientização sobre a importância do acesso ao tratamento adequado. Segundo o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), quase 100% dos casos de suicídio estão relacionados a doenças mentais e 90% deles poderiam ser prevenidos com o tratamento adequado.

Outro ponto levantado durante a audiência é a necessidade de se promover avanços na política de saúde mental ao longo de todo o ano, não somente durante o mês de setembro. Marcia Aparecida Ferreira de Oliveira, assessora técnica do Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde, destacou que a saúde mental ocupa um lugar privilegiado nas políticas de saúde no Brasil atualmente e pediu que a prevenção ao suicídio seja uma pauta constante.

Além disso, fatores como transtornos mentais, histórico familiar e a ocorrência de cyberbullying foram apontados como elementos importantes nos casos de suicídio e automutilação. O psiquiatra André de Mattos Salles ressaltou a necessidade de abordar essas questões com cuidado, evitando o efeito Werther, que é o contágio provocado pela divulgação de casos de suicídio.

No ambiente escolar, o diretor de Políticas e Diretrizes da Educação Integral Básica do Ministério da Educação, Alexsandro do Nascimento Santos, destacou a importância de se capacitar os professores para identificar crianças e adolescentes em sofrimento psíquico. Ele ressaltou a necessidade de integração entre escolas e unidades de saúde, para que haja um cuidado coletivo com essas crianças e também com os próprios professores, que muitas vezes estão em situação de sofrimento psíquico.

Em resumo, a audiência pública promovida pela CAS reforçou a importância de se dar atenção à saúde mental como forma de prevenção ao suicídio e à automutilação. É necessário que o poder público promova políticas adequadas de assistência psiquiátrica e psicológica, garantindo o acesso a tratamentos e medicamentos, tanto no setor público quanto no privado. Além disso, a conscientização sobre o tema deve ser constante ao longo do ano, e a capacitação dos profissionais de educação é fundamental para identificar e ajudar crianças e adolescentes em sofrimento psíquico.

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