O senador Eduardo Girão, autor do requerimento, expressou preocupações acerca das alterações introduzidas na caderneta, que agora inclui um capítulo focalizado em temas relativos ao aborto. Segundo Girão, as novas orientações abordam situações de “gestação não desejada” e fazem menção à interrupção da gravidez, gerando controvérsias e críticas no âmbito da saúde pública e da proteção aos direitos das gestantes.
Em sua argumentação, o senador enfatiza que a finalidade primária da caderneta deveria ser a proteção da gestante e do nascituro, além da promoção da saúde materno-infantil. Ele também questiona a substituição de terminologias tradicionais, como “mulher” e “mãe”, por expressões inclusivas, como “pessoas que gestam”, o que, em sua visão, pode desvirtuar o propósito original do material.
Girão também apontou trechos da caderneta que abordam casos de violência sexual e aborto legal. Entre as informações, um parágrafo afirma que não é necessário registrar um boletim de ocorrência para receber atendimento de saúde em casos de gravidez resultante de violência sexual, enfatizando que “a interrupção da gravidez é um direito legal se essa for a sua decisão”. O senador solicita esclarecimentos sobre os critérios técnicos utilizados na elaboração deste novo documento, bem como detalhes sobre a equipe responsável pela revisão científica do conteúdo e os custos administrativos relacionados à sua substituição.
Além disso, a comissão também aprovou um requerimento que visa convocar uma audiência pública sobre o tema do homeschooling, ou educação domiciliar, no Brasil. O objetivo é discutir os impactos dessa modalidade no que diz respeito aos direitos humanos e o direito à educação, especialmente à luz de um caso recente em que um casal foi condenado à prisão por educar suas filhas em casa.
Essas discussões refletem um contexto mais amplo no qual os direitos das gestantes, a linguagem inclusiva e as práticas educativas estão em constante debate na sociedade brasileira.





