SENADO FEDERAL – CCJ Avalia Autonomia Financeira do BC e Mudanças na Legislação Eleitoral em Reunião Crucial

Nesta quarta-feira (14), às 10h, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal se reunirá para debater uma pauta com 10 itens, entre os quais se destaca a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 65/2023) que visa conceder autonomia orçamentária e financeira ao Banco Central (BC) e transforma-lo em empresa pública. A proposta é de autoria do senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO).

Anteriormente discutida, a votação desta PEC foi adiada a pedido de Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo, para buscar um consenso sobre o texto. Durante esse período, a proposta recebeu 10 emendas, e o senador Rogério Carvalho (PT-SE) apresentou um voto em separado, manifestando-se contra o relatório favorável do senador Plínio Valério (PSDB-AM).

A PEC busca formalizar na Constituição a autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira do Banco Central, já estabelecida pela Lei Complementar 179 de 2021, e incorporar a autonomia orçamentária. Além disso, propõe transformar o BC, atualmente uma autarquia de natureza especial sem vínculo ministerial ou subordinação hierárquica, em uma empresa pública fiscalizada pelo Congresso Nacional, com apoio do Tribunal de Contas da União (TCU).

O senador Vanderlan Cardoso argumenta que a autonomia orçamentária e financeira é essencial para fortalecer a atuação do Banco Central como autoridade monetária e supervisora do Sistema Financeiro Nacional. Ele destaca a importância de um fundamento constitucional para garantir segurança jurídica à implementação e regulamentação desta autonomia por meio de lei específica.

O senador Plínio Valério, relator do projeto, apoia a PEC na forma de um substitutivo e defende que a inclusão da autonomia orçamentária e financeira na Constituição trará estabilidade jurídica ao Banco Central. Plínio acatou cinco emendas integralmente e outras três de forma parcial. Caso aprovada na CCJ, a PEC seguirá para votação no Plenário.

Além da PEC do Banco Central, a CCJ também votará duas matérias relacionadas à legislação eleitoral. A primeira, PEC 9/2023, impõe aos partidos políticos a obrigatoriedade de destinar recursos financeiros para candidaturas de pessoas pretas e pardas, além de estabelecer parâmetros para a regularização de débitos partidários. A segunda, PLP 192/2023, prevê que a inelegibilidade dos parlamentares que perderem seus mandatos se aplicará às eleições realizadas durante o período remanescente do mandato e aos oito anos subsequentes ao término da legislatura.

Estas discussões refletem a importância das deliberações da CCJ na definição de normas que podem impactar significativamente o funcionamento de instituições financeiras e o sistema eleitoral brasileiro, demonstrando o papel crucial do Congresso Nacional no fortalecimento da democracia e da governança institucional do país.

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