O Senado também planeja realizar audiências públicas para aprofundar o debate sobre a proposta antes da deliberação final. Apesar das críticas de alguns senadores em relação ao processo acelerado que ocorreu na Câmara dos Deputados, onde a proposta foi aprovada em uma única noite, os aliados de Alcolumbre mostram-se otimistas quanto à tramitação da PEC, acreditando que a votação ocorrerá antes das próximas eleições.
Vale destacar que a aprovação na Câmara se deu em um ritmo considerado apressado, o que, segundo os senadores, pode prejudicar uma análise mais detalhada no Senado. Entretanto, fontes próximas ao presidente do Senado afirmam que não há intenção de obstruir a votação. Existe a percepção de que atrasar a aprovação da PEC pode causar desgastes políticos, além de expor os parlamentares a pressões populares que poderiam impactar suas chances de reeleição.
O caminho que a PEC percorrerá no Senado ainda não está totalmente claro. Uma das opções em discussão é a formação de uma comissão especial, similar àquela que atuou na Câmara, antes que o texto chegue ao plenário. Outra alternativa, considerada mais viável, envolve sua tramitação nas comissões permanentes já existentes. Nesse cenário, a proposta passaria pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, possivelmente, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Otto Alencar, presidente da CCJ, afirmou que Alcolumbre não pretende adiar a discussão da PEC, garantindo que, assim que a proposta chegar ao Senado, ela será pautada na comissão, onde também acontecerão audiências públicas. Alencar se declarou favorável à medida, lembrando de uma proposta anterior que reduzira a jornada semanal de 44 para 36 horas, destacando que há uma ampla maioria no Senado disposta a apoiar essa iniciativa, considerada importante para a classe trabalhadora.
Por outro lado, a mudança na escala de trabalho é uma das apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fortalecer sua popularidade em meio ao cenário eleitoral. O texto da PEC foi elaborado em conjunto pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, e Lula, e prevê, entre outras coisas, a concessão de dois dias de folga por semana ainda este ano e a redução da carga de trabalho de 44 para 40 horas em um prazo de 14 meses.
