Seis meses após ser criado no Senado, o grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) destinado a acompanhar o caso do Banco Master deixou de apresentar novos resultados práticos. Embora permaneça formalmente em funcionamento, o colegiado não realizou novas audiências nem divulgou conclusões desde junho, quando aprovou uma série de convocações relacionadas às aplicações de recursos públicos no banco.
Presidido pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), o grupo foi instalado com o objetivo de reunir informações sobre a situação do Banco Master, incluindo pedidos de compartilhamento de documentos produzidos por outros órgãos de controle e investigação.
A última atividade pública ocorreu em 9 de junho, quando a CAE ouviu o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, para prestar esclarecimentos sobre a proposta de aquisição do Banco Master. Durante a sessão, houve um bate-boca entre Renan Calheiros e a senadora Eudócia Caldas (PL-AL), após o senador questionar aplicações de R$ 117 milhões realizadas pelo Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) em ativos vinculados ao Banco Master.
Na sequência, Renan apresentou requerimento convocando o secretário municipal da Fazenda de Maceió, o presidente do Iprev, representantes do Ministério da Previdência, consultorias de investimentos e um conselheiro do Tribunal de Contas do Ceará para prestar esclarecimentos sobre investimentos de regimes próprios de previdência em títulos do Banco Master. O requerimento foi aprovado pela comissão em 30 de junho, mas, até o momento, as oitivas não foram realizadas.
As convocações incluíram representantes de órgãos federais e de empresas do mercado financeiro, mas também alcançaram integrantes da administração municipal de Maceió, responsável pelas decisões envolvendo os investimentos do Iprev. À época dos fatos, a prefeitura era administrada por João Henrique Caldas (JHC), hoje apontado como pré-candidato ao Governo de Alagoas.
Outra frente de atuação do grupo envolveu pedidos de acesso a documentos produzidos por outros órgãos. A comissão não conseguiu obter material sigiloso da CPI do Crime Organizado, após a área técnica do Senado concluir que o colegiado da CAE não possuía competência para receber documentos protegidos por sigilo produzidos por uma comissão parlamentar de inquérito.
Em contrapartida, o Tribunal de Contas da União (TCU) autorizou o compartilhamento integral dos processos relacionados ao Banco Master, incluindo documentos sob sigilo, além de disponibilizar apoio técnico aos trabalhos. Segundo Renan Calheiros, também foram encaminhadas informações provenientes do Banco Central, com acesso restrito aos senadores integrantes do grupo e a um assessor de cada gabinete, mediante assinatura de termo de confidencialidade.
Apesar da obtenção desse material, não houve divulgação de novas diligências, audiências ou conclusões públicas desde então.
O grupo também esteve no centro de disputas políticas envolvendo o deputado federal Arthur Lira (PP-AL). Na criação da comissão, Renan afirmou que um dos objetivos seria apurar suspeitas de pressão sobre o Tribunal de Contas da União relacionadas ao Banco Master. Posteriormente, o senador publicou um vídeo nas redes sociais associando Lira ao caso. Em decisão posterior, o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou a retirada definitiva da publicação e aplicou multa ao parlamentar por entender que o conteúdo não apresentava provas suficientes para sustentar as alegações.
