Arthur Lira confirma candidatura ao Senado por Alagoas após decisão de JHC; patrimônio cresce 265% e investigações da PF complicam cenário político.

Neste sábado, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), anunciou oficialmente sua candidatura ao Senado por Alagoas. Essa decisão veio após a definição do ex-prefeito JHC, que optou por concorrer ao governo do estado. Lira, que até então aguardava o movimento do ex-prefeito, agora se prepara para a disputa com uma declaração de bens que impressiona: seu patrimônio saltou para R$ 25 milhões, um aumento expressivo de 265% em comparação ao registrado em 2022, quando informou à Justiça Eleitoral um total de R$ 7 milhões, corrigidos pelo IPCA. Entre os novos ativos, destacam-se uma propriedade rural em Quipapá (PE), avaliada em R$ 3,6 milhões, e uma residência em Brasília, que soma R$ 2,1 milhões, ambos com financiamento ativo.

No cenário atual, Lira se junta à corrida ao Senado que conta com nomes como Lenilda Luna (UP) e Márcio Jambo (Democrata) já confirmados para concorrer ao governo, enquanto Alexandre Fleming (UP), Davi Davino Filho (Republicanos) e Mariedson (Democrata) são os pré-candidatos ao Senado. O prazo para registro de candidaturas se encerra às 19h, e o clima político fervilha em Alagoas com este novo capítulo das eleições se desenrolando.

Lira tem uma oposição forte composta pelas figuras influentes de Renan Filho e Renan Calheiros, ambos do MDB, que também não se manifestaram oficialmente no portal da Justiça Eleitoral até o momento. Em uma recente reunião, JHC manifestou sua intenção de ser candidato ao Senado, onde encontrará uma grande rivalidade, especialmente contra a família Calheiros, que conta com apoio de Lula. Apesar desse cenário desafiador, analistas políticos acreditam que JHC, que também é visto como competitivo para o governo, teria uma melhor chance no Senado, considerando que Alagoas elegerá dois representantes em 2026.

A trajetória de JHC na política tem sido marcada por descontentamentos. No ano passado, ele havia se reunido com o presidente Lula para discutir a indicação de sua tia, Marluce Caldas, para um cargo no STJ, e rumores indicam que um acordo foi alcançado para sua candidatura ao Senado, o que possibilitará a Renan Filho uma vantagem nas eleições para governador. O ex-prefeito deixou o PL em março por desavenças internas, especialmente por não ter autonomia para formar sua chapa, e agora se destaca como presidente do diretório local do PSDB.

Recentemente, Flávio Bolsonaro fez uma proposta que poderia complicar ainda mais a situação de Lira, sugerindo que a esposa de JHC, Marina Candia, concorresse ao Senado ao lado dele. Essa proposta foi bem recebida por JHC, mas vista com descontentamento por Lira, que sente que a concorrência se intensificou.

Nos bastidores, tanto Lira quanto Lula expressam irritação com a posição de JHC, especialmente em meio a uma investigação da Polícia Federal que apura a gestão financeira durante a administração do ex-prefeito, relacionada a compras suspeitas envolvendo o Banco Master. A PF lançou uma operação para investigar a compra de R$ 97 milhões em papéis que posteriormente foram liquidadas sob gestão fraudulenta. Em um movimento adicional, o Senado aprova um empréstimo de US$ 150 milhões para a prefeitura de Maceió, um passo que pode ter um impacto direto na campanha de JHC, revelando a interatividade e a complexidade do cenário eleitoral no estado.

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