O levantamento revelou que 22,4% das pessoas homossexuais e bissexuais usam produtos de tabaco, em comparação a apenas 12,7% dos heterossexuais. Em relação aos dispositivos eletrônicos, como os vapes, a diferença é ainda mais acentuada, com a prevalência entre os grupos LGBTI+ quase seis vezes superior. Essa disparidade chama a atenção para a necessidade de políticas de saúde que atendam especificamente às necessidades dessa comunidade.
Aline Mesquita, pesquisadora do Inca, deixou claro que, embora o Brasil tenha avançado em políticas de controle do tabaco, é crucial incorporar estratégias voltadas para a promoção da saúde da população LGBTI+. Ela destacou que o tabagismo é um fator de risco significativo para diversas doenças crônicas, aumentando os impactos na saúde desse público.
Denise Taynah, Secretária-Executiva do Conselho Estadual dos Direitos da População LGBTI+ do Rio, enfatizou que é fundamental que os serviços de saúde que atendem essa população, como as unidades de transsexualização, sejam incluídos nas iniciativas de combate ao tabagismo. Taynah defendeu a implementação de protocolos de saúde que ajudem a melhorar a saúde física e mental dessa população, buscando um suporte que promova uma vida mais longa e saudável.
Outro ponto importante levantado por Mesquita é que a indústria do tabaco também se mostra atenta a essa realidade, utilizando táticas de marketing que podem estimular o consumo entre as pessoas LGBTI+. A prática de patrocinar eventos, por exemplo, é uma estratégia voltada a criar uma imagem positiva e atrativa em relação aos produtos tabagistas. Além disso, o lançamento de produtos com aditivos que prometem experiências menos danosas é visto como uma “isca” particularmente atrativa para os jovens.
Fatores como preconceito e violência também são citados como influentes nessa maior incidência de tabagismo, levando muitos jovens a recorrer ao uso de substâncias como forma de lidar com a ansiedade e depressão exacerbadas por situações de discriminação. A realidade do tabagismo entre a população transexual também reflete essa vulnerabilidade, com relatos de início no uso de tabaco atrelados a momentos de maior violência e estresse.
O Ministério da Saúde reconhece a importância de capturar dados mais precisos sobre a população LGBTI+. Portanto, em 2024, será obrigatório o registro da orientação sexual e identidade de gênero em cadastros realizados pelo Sistema Único de Saúde. Estas medidas visam entender e atender melhor as necessidades específicas dessa comunidade, buscando desenvolver intervenções mais eficazes no combate ao tabagismo e na promoção da saúde.
