Porém, a pesquisa também revelou que cerca de 20% dos entrevistados vivenciaram situações de desrespeito, falta de privacidade e desconforto durante o atendimento nos serviços de saúde. Além disso, 13% tiveram seus diagnósticos revelados sem consentimento pela equipe de saúde e 20% foram orientados a não ter relações sexuais, o que vai contra a legislação brasileira que estabelece o sigilo dos resultados de exames de HIV.
A pesquisa também apontou desafios relacionados ao deslocamento até os serviços de saúde, com 21% dos entrevistados levando mais de uma hora para chegar, o que pode afastar os jovens do tratamento.
No Brasil, a contaminação pelo HIV ocorre principalmente por contato sexual desprotegido. No entanto, o avanço do conhecimento científico e o uso adequado de antirretrovirais têm permitido que mais pessoas vivendo com HIV não desenvolvam a aids. Com o tratamento adequado, a maioria consegue reduzir a carga viral no sangue para níveis indetectáveis, deixando de transmitir o vírus.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2022 o Brasil registrou 43.403 novos casos de infecção por HIV. Hoje, estima-se que um milhão de pessoas vivam com o vírus no país, sendo que 90% já foram diagnosticadas e 81% estão em tratamento antirretroviral.
A pesquisa foi realizada em parceria com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) e a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids. Além disso, contou com parceria técnica da empresa Oppen Social e teve a participação de 710 pessoas entre 17 e 31 anos.
Os resultados da pesquisa mostram a importância de políticas públicas e outras ações que possam transformar as unidades de saúde em espaços acolhedores para adolescentes e jovens, garantindo serviços universais, humanizados e de qualidade para todos. A pesquisa também revelou a importância do acompanhamento psicológico durante o tratamento e a necessidade de ampliação do acesso aos serviços de saúde.





