Durante um discurso no Rio de Janeiro, onde participou de um encontro sobre o enfrentamento global de novas pandemias, Trindade lamentou a perda e destacou que, apesar deste incidente não acender um alerta imediato, reforça a necessidade de uma vigilância constante em relação à saúde pública. “A coqueluche é uma doença prevenível por vacina. Recomendamos fortemente a vacinação e estaremos atentos para evitar novos casos”, afirmou a ministra.
No Paraná, além do caso fatal de Londrina, as autoridades de saúde investigam a morte de outro bebê de três meses em Irati, no sudeste do estado, também suspeita de ser causada pela coqueluche. Até a primeira quinzena de junho, o estado registrou 24 casos da doença, um aumento significativo em comparação aos 17 casos registrados em todo o ano anterior.
A coqueluche, também conhecida como “tosse comprida”, é uma doença respiratória aguda altamente contagiosa, transmitida principalmente pelo contato direto com gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou falar. Os sintomas incluem febre, mal-estar, coriza e uma tosse seca, que pode ser intensa. “Em crianças pequenas, é muito característica a respiração com um guincho, uma falta de ar e um ruído respiratório”, explicou Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
Kfouri sublinhou que, embora a coqueluche possa afetar indivíduos de todas as idades, sua gravidade é mais preocupante em bebês no primeiro ano de vida, período em que ainda não completaram seu esquema vacinal. Segundo ele, a doença segue um padrão de ondas de prevalência que ocorre aproximadamente a cada cinco a sete anos. Este intervalo foi prolongado recentemente devido à pandemia de covid-19, quando medidas de distanciamento social e uso de máscaras reduziram a transmissão de várias infecções.
Os recentes aumentos nos casos de coqueluche são atribuídos a uma cobertura vacinal infantil subótima e a possíveis mutações na cepa da bactéria Bordetella pertussis, causadora da doença.
No Brasil, as vacinas contra coqueluche estão incluídas no Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. O esquema vacinal primário para bebês inclui três doses administradas aos 2, 4 e 6 meses, utilizando a vacina pentavalente, que também protege contra difteria, tétano, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b. Doses de reforço da vacina DTP (contra difteria, tétano e coqueluche) são aplicadas aos 15 meses e aos 4 anos de idade.
Kfouri destacou que vacinar grávidas e bebês é a melhor estratégia de proteção contra a coqueluche. A imunização das gestantes proporciona anticorpos que protegem o bebê nos primeiros meses de vida, e a vacinação do bebê aos 2, 4 e 6 meses garante proteção contínua a partir dos seis meses. “Essas duas estratégias são fundamentais para controlar a coqueluche em crianças pequenas”, afirmou o especialista.





