As doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, são caracterizadas por inflamações que podem surgir sem uma causa definida e que, muitas vezes, afetam principalmente jovens adultos entre 20 e 30 anos e idosos na faixa dos 60 a 70 anos. Para tratar deste tema, a médica Mariane Savio, integrante da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, participou de uma entrevista no programa Tarde Nacional, onde enfatizou a importância de um diagnóstico preciso e a necessidade de buscar a avaliação de um especialista.
Ela ressalta que sintomas como diarreia persistente por mais de quatro semanas, dor abdominal intensa, emagrecimento e anemia são sinais que não devem ser ignorados. Segundo Mariane, essas manifestações podem ser indicativos de condições que, se não tratadas, podem levar a complicações sérias. O primeiro passo, ao notar esses sintomas, é procurar um coloproctologista ou um gastroenterologista, já que exames como a colonoscopia são essenciais para confirmar o diagnóstico.
As diferenças entre a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa também foram abordadas. A primeira pode afetar qualquer segmento do trato gastrointestinal, apresentando sintomas variados, enquanto a retocolite se limita ao reto e cólon, afetando principalmente a mucosa. Ambas as condições podem ser tratadas com uma variedade de medicamentos, mas alguns deles são específicos para cada enfermidade.
Infelizmente, a acessibilidade ao diagnóstico precoce ainda é um desafio. Filas longas para a realização de colonoscopias em muitos locais podem atrasar o início do tratamento, fazendo com que os pacientes percam “a janela de oportunidade” para intervenções eficazes. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza diretrizes para o tratamento das DIIs, incluindo medicamentos, mas em casos mais severos, pode ser necessário recorrer a técnicas mais invasivas, como a colostomia.
No contexto atual, a crescente incidência dessas doenças em todo o mundo é motivo de preocupação. Fatores como estresse, dietas ricas em alimentos ultraprocessados e tabagismo estão sendo estudados como possíveis gatilhos para o desenvolvimento das enfermidades. Portanto, a adoção de estilos de vida mais saudáveis pode ajudar na redução dos riscos. Neste cenário, a orientação de um especialista é crucial. Entretanto, na falta de um coloproctologista disponível, buscar um médico da atenção primária pode ser uma alternativa para garantir que o diagnóstico e o tratamento sejam iniciados rapidamente, prevenindo complicações futuras.
