SAÚDE – Estudo revela que quase metade das mulheres apresentam transtornos mentais após o período de pandemia. Um impacto alarmante na saúde feminina.

Um relatório divulgado pela organização não governamental Think Olga revelou que 45% das mulheres brasileiras foram diagnosticadas com ansiedade, depressão ou outros transtornos mentais no contexto pós-pandemia de Covid-19. O estudo, realizado com 1.078 mulheres entre 18 e 65 anos, em todos os estados do país, revelou ainda que a ansiedade é o transtorno mais comum entre as mulheres do Brasil, afetando 6 em cada 10 delas.

De acordo com os dados coletados, a situação financeira é a preocupação mais frequente entre as entrevistadas, seguida pela sobrecarga de trabalho. A pesquisa mostrou que 48% das mulheres enfrentam uma situação financeira apertada, enquanto 32% estão insatisfeitas com a remuneração baixa. As mulheres das classes D e E são as mais afetadas nesse aspecto, sendo que 59% delas estão insatisfeitas com sua situação financeira. Além disso, a pesquisa revelou que 38% das mulheres são as únicas ou principais provedoras em seus lares.

Outro ponto destacado pelo relatório é a sobrecarga de trabalho doméstico e cuidado. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, as mulheres gastam em média 21,4 horas por semana com tarefas domésticas e de cuidado, enquanto os homens dedicam apenas 11 horas a essas atividades. A sobrecarga de trabalho doméstico foi apontada como a segunda causa de descontentamento mais comum entre as mulheres, ficando atrás apenas das preocupações financeiras.

O relatório ainda ressaltou que 86% das mulheres consideram ter muita carga de responsabilidades. Esse índice é ainda maior entre mães solo e cuidadoras, que também são as mais sobrecarregadas com tarefas domésticas e de cuidado. Além disso, a situação financeira restrita foi apontada como o maior impacto na saúde mental por 51% das mães solo e 49% das cuidadoras. Isso evidencia o fato de que a sobrecarga de cuidado também contribui para o empobrecimento das mulheres, fenômeno conhecido como “feminização da pobreza”.

O relatório revelou também que padrões de beleza impostos pela sociedade impactam a saúde mental de 26% das mulheres mais jovens, enquanto 16% delas mencionaram o medo de sofrer violência. Diante desses resultados, 91% das entrevistadas consideram que a saúde emocional deve ser levada muito a sério, sendo que 76% delas têm buscado prestar atenção à saúde mental, em especial após a pandemia de Covid-19.

Diante dessas informações, especialistas destacaram a importância de discutir o impacto do trabalho de cuidado e suas consequências, bem como de desestigmatizar tabus relacionados à saúde mental. Além disso, é essencial incentivar ações do setor privado, da sociedade civil e do setor público visando um futuro mais viável para as mulheres.

Jornal Rede Repórter - Click e confira!


Botão Voltar ao topo