O pesquisador do Grupo de Câncer Hereditário do Inca, Miguel Moreira, ressaltou que indivíduos com variantes genéticas apresentam um risco significativamente mais elevado de desenvolver câncer em comparação com a população em geral. Esses casos também tendem a se manifestar em idades mais jovens e há uma maior incidência de diagnósticos de múltiplos tumores primários. Por meio da identificação de mutações genéticas, é possível implementar estratégias de prevenção primária e secundária, evitando o desenvolvimento do tumor e facilitando o tratamento.
A diretora da Rede Brasileira de Câncer Hereditário (Rebrach), Patrícia Ashton-Prolla, destacou que, embora a média geral de casos de câncer hereditário seja de 10%, para certos tipos específicos, essa proporção pode chegar a 25% ou até 40%. A realização de testes genéticos e a implementação de tratamentos adequados já são práticas comuns em planos de saúde, mas ainda não estão disponíveis no SUS.
Recentemente, o Ministério da Saúde incluiu um novo medicamento no protocolo de tratamento para câncer de ovário e endométrio, o olaparibe, direcionado aos casos de origem genética. No entanto, a cobertura do teste genético ainda é limitada e não contempla todos os genes que podem estar relacionados ao desenvolvimento do câncer. A Rebrach cobra uma ampliação dos serviços de oncogenética no SUS, para garantir o acesso igualitário a diagnósticos e tratamentos para pacientes de alto risco.
Procurado para comentar sobre as críticas e demandas em relação à oncogenética no SUS, o Ministério da Saúde ainda não se pronunciou. A necessidade de inclusão dessas tecnologias no sistema público de saúde é uma pauta urgente, visando a prevenção e o tratamento adequado para pacientes com predisposição genética ao câncer.





